Duque de Caxias – Quem foi? Biografia e Feitos

Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, é considerado um dos maiores oficiais do Exército Brasileiro, participando ativamente de inúmeros conflitos militares aos quais o país esteve envolvido ao longo do século XIX.

Ele é considerado o Patrono do Exército Brasileiro, sendo que o Dia do Soldado é comemorado em 25 de agosto, dia de seu aniversário. Ficou conhecido como o “Duque de Ferro” e o “Pacificador”.

Duque de Caxias

Nascimento e juventude

Nasceu em 25 de agosto de 1803, em uma fazenda no atual território de Duque de Caxias, na então capitania do Rio de Janeiro. Tendo crescido em uma família de militares, era filho de Francisco de Lima e Silva e Mariana Cândido de Oliveira Belo.

Seu pai foi brigadeiro do exército, senador e presidente da Província de Pernambuco, e recebeu do imperador Dom Pedro I, o título de Barão de Barra Grande

Seguindo a tradição familiar, ingressou na Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, aos 15 anos, chegando ao posto de tenente, em 1820.

Duque de CaxiasIndependência do Brasil

Em 1822, já alistado no 1º Batalhão de Fuzileiros, assistiu à Independência do país e à aclamação de Dom Pedro I como imperador. Mas, forças brasileiras e portuguesas leais a Portugal não aceitaram aquela situação, iniciando várias revoltas dentro do país. Assim, um batalhão foi enviado para a Província da Bahia, sob o comando do tio de Duque de Caxias, o Coronel José Joaquim de Lima e Silva, para combater as tropas rebeldes. Luís Alves se destaca na batalha, motivo pelo qual foi promovido a capitão.

Também teve destaque na Guerra da Cisplatina, em 1827, apesar do conflito resultar na perda da província, que posteriormente se tornaria o Uruguai. Pela participação na guerra, Luís Alves foi promovido a major em 1828.

Abdicação e regência

Em 1831, o imperador Dom Pedro I abdicou ao trono em favor de seu filho Dom Pedro II. O futuro imperador tinha apenas 5 anos, e, por isso, um período regencial foi organizado para governar o país até a maioridade do futuro imperador. O pai de Luís Alves participou das regências Trina Provisória e Trina Permanente, as primeiras de um total de 4 regências formadas.

Nesse período, o tamanho do exército foi reduzido drasticamente, sendo substituído em parte pela recém criada Guarda Nacional.

Em 1833, Luís Alves se casa com Ana Luísa de Loreto Carneiro Viana, irmã de um amigo do exército e oriunda de uma família aristocrática carioca. Em seguida, foi designado como instrutor de hipismo e esgrima do jovem Pedro II, tendo, a partir daí, desenvolvido uma profunda relação de respeito com o governante.

O período entre a abdicação de Dom Pedro I e o fim da regência foi marcado por uma série de revoltas contra o governo. Luís Alves esteve presente na maioria delas, representando as forças imperiais e lutando para restabelecer a ordem vigente. Em 1841, após suprimir a Balaiada, uma revolta ocorrida no Maranhão, Luís Alves recebeu, do imperador, o título de Barão de Caxias.

Guerra dos Farrapos

Em 1842, o agora Barão de Caxias foi enviado para o Rio Grande do Sul para tentar pôr fim à Guerra dos Farrapos, uma das maiores e mais duradouras revoltas do período imperial. Chegando ao sul do país, depara-se com o inimigo já desgastado por 7 anos de guerra. Nos 3 anos em que comandou as tropas imperiais, Caxias alternou sucesso em batalhas com negociações e acordos. O conflito terminou finalmente em 1 de março de 1845, e Caxias agora ganha o título de Conde.

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Guerra do Paraguai

Quase 20 anos depois, estourou aquele que é o maior conflito da história do Brasil até hoje, a Guerra do Paraguai. O Paraguai, aproveitando-se de um certo progresso econômico, buscava ampliar seu território e, sobretudo, uma saída para o mar. Com esses objetivos atacou tanto o território brasileiro quanto argentino.

Em setembro de 1865, Dom Pedro II chega a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, acompanhado do Conde de Caxias, nomeado ajudante de campo do imperador, naquela ocasião. A cidade havia sido invadida pelas tropas paraguaias, que acabaram se rendendo sem muita resistência. Dom Pedro II volta ao Rio, e Caxias, na ocasião já com 63 anos, é nomeado o comandante das forças brasileiras no conflito.

Uma das batalhas mais intensas foi a de Humaitá, uma fortaleza paraguaia no Rio Paraguai, ao sul de Assunção. Além delas, as batalhas de Itororó e Avaí também contribuíram para a futura vitória brasileira, e todas elas tiveram o comando decisivo de Caxias.

Com a saúde fragilizada, Caxias deixa o fronte, em janeiro de 1869, contrariando ordem expressa do imperador para não abandonar seu posto. No mês seguinte, os dois se encontram no Palácio Imperial para uma reconciliação. Por seus serviços prestados na Guerra do Paraguai, Caxias recebe o título de Duque.

Fim da vida

Em 1877, Duque se retira para uma fazenda no interior do estado do Rio de Janeiro, onde passa seu últimos anos. O “Duque de Ferro”, morreu em 7 de maio de 1880, aos 76 anos.


Referências utilizadas neste conteúdo:

Dias, Maria Odila da Silva. Grandes Personagens da Nossa História. São Paulo: Abril Cultura. 1969.
Doratioto, Francisco. Maldita Guerra: Nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras. 2002.
Morais, Eugênio Vilhena de. O Duque de Ferro: novos aspectos da figura de Caxias. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército. 2003.
Vainfas, Ronaldo. Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva. 2002.


Umberto Oliveira

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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