Princesa Isabel – Quem foi? Biografia e Principais Feitos

Isabel Cristina de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança foi a segunda filha do imperador Dom Pedro II. Com a morte do irmão mais velho, assumiu a condição de herdeira do Império do Brasil, ao receber o título de Princesa Imperial.

A Princesa Isabel teve participação no processo que culminou na abolição da escravatura, por meio da Lei Áurea, assinada por ela, motivo pelo qual ficou conhecida como “a Redentora”.

Princesa Isabel

Nascimento da Princesa Isabel

Nascida em 29 de julho de 1846, no Rio de Janeiro, era filha de Dom Pedro II, Imperador do Brasil, e da imperatriz Teresa Cristina das Duas Sicílias. Pelo lado do pai, descendia das Casas de Bragança e Habsburgo, e pelo lado da mãe, da casa de Bourbon.

Como segunda filha, Isabel não estava destinada ao comando do império. O herdeiro era seu irmão mais velho, Afonso Pedro, morto com apenas dois anos. Dom Pedro II teve um segundo filho homem, Pedro Afonso, que também morreu ainda criança. Dessa forma, Isabel se tornou a herdeira com apenas 4 anos, recebendo o título de Princesa Imperial.

Casamento

Em 1864, Pedro II escolheu, como pretendentes para as filhas, dois netos do rei Filipe I da França, Gastão d’Orleans, o Conde d’Eu, e seu primo Luís Augusto de Saxe Coburgo-Gotha. Os dois chegaram em setembro daquele ano, para se encontrar com Isabel e sua irmã Leopoldina. O matrimônio entre Isabel e Gastão aconteceu em 15 de outubro de 1864, na Capela Imperial do Rio de Janeiro.

Princesa regente

Em maio de 1871, a princesa assume a regência pela primeira vez, durante a viagem que Dom Pedro II fez Princesa Isabelpara a Europa. Defensora do fim da escravidão, em setembro do mesmo ano, assina a Lei do Ventre Livre. Esse decreto propunha que, a partir de sua promulgação (28 de setembro do mesmo ano), toda criança nascida de mãe escrava seria livre.

Após uma rápida regência entre 1876 e 1877, Isabel ocupa o governo por uma terceira oportunidade, quando, em junho de 1887, o imperador parte para a Europa para um tratamento de saúde.

O movimento abolicionista havia crescido muito no Brasil, desde a promulgação da Lei do Ventre Livre. A pressão da Inglaterra, com quem o Brasil tinha vários tratados comerciais, e de parte da sociedade pelo fim da escravidão, criava um caminho sem volta para a abolição. Ainda assim, a princesa precisou lutar contra forças contrárias, encabeçadas pelo Barão de Cotegipe, Presidente do Conselho de Ministros.

Lei áurea

Em 1888, com a demissão do Barão de Cotegipe, é nomeado João Alfredo Correia de Oliveira para o cargo. Abolicionista convicto, ele logo elaborou uma lei que foi apresentada e rapidamente aprovada pelo Congresso. Chamada de Lei Áurea, foi assinada pela princesa Isabel em 13 de maio, abolindo imediatamente a escravidão em todo território nacional.  Por esse feito, a princesa recebeu do Papa Leão XIII a Rosa de Ouro, uma honraria ofertada para monarcas que praticavam atos de bondade e caridade.

O fim da monarquia

O fim da abolição trouxe ainda mais problemas para uma monarquia que já apresentava sinais de desgaste, atraindo inúmeras forças contrárias. De um lado, a elite escravocrata, inconformada com o fim da escravidão; de outro, os republicanos, havidos pelo fim do regime e pela instauração de uma república.

A antipatia do povo para com o Conde d’Eu, a quem se pensava que seria o comandante de fato caso, a princesa assumisse o trono. E, por fim, os militares, que se sentiam desvalorizados e ansiavam por mais autonomia.

Todos esses fatores somados levaram aos eventos de 15 de Novembro de 1889, com a Proclamação da República e a expulsão da família real do país. Dois dias depois, todos embarcam no navio Alagoas, com destino a Portugal. Isabel nunca mais voltara ao Brasil.

Princesa Isabel

 

A vida no exílio

A família chegou a Lisboa em 7 de dezembro. A imperatriz Teresa Cristina morreu 3 semanas após a chegada e Dom Pedro II morreu dois anos depois, deixando Isabel como a herdeira do trono, no caso de um possível retorno da monarquia ao Brasil, algo que nunca aconteceu.

Após alguns anos, a princesa e o marido compram o Castelo d’Eu, na Normandia, antiga residência do rei da França, onde a princesa passara o resto da vida, não sem antes presenciar a morte de 2 dos seus filhos – Antônio, vítima de acidente aéreo após o término da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e Luís, morto em 1920. Isabel faleceu em 14 de novembro de 1921, em seu castelo na França.


Referências utilizadas neste conteúdo:

Del Priore, Mary. O Castelo de papel. Rocco. 2013.
Gomes, Laurentino. 1889. Globo Livros. 2013.


Umberto Oliveira

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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