Proclamação da República – O que foi? Causas, Resumo e Curiosidades

A Proclamação da República foi o resultado de um movimento político-militar que destituiu do poder o Imperador Dom Pedro II, pondo fim ao regime monárquico no Brasil, após 67 anos.

Esse movimento instaurou um regime republicano no país (conhecido como a Primeira República, ou República Velha), tendo como primeiro presidente Marechal Deodoro da Fonseca.

O que foi a Proclamação da República?

Em 15 de novembro de 1889, no Campo de Santana (atual Praça da República), no Rio de Janeiro, um grupo de militares chefiados pelo Marechal Deodoro, herói da Guerra do Paraguai, destituiu o imperador e decretou uma república provisória, que será a Primeira República Brasileira (também conhecida como República Velha).

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O movimento que transformou o Brasil em república não foi a primeira tentativa nesse sentido. A Inconfidência Mineira (17890, a Revolução Pernambucana (1817), a Confederação do Equador (1824) e a Revolução Farroupilha (1839) são exemplos da insatisfação que a monarquia vinha causando em vários setores da sociedade brasileira. Todos esses movimentos tinham como uma de suas pautas a instauração de uma República no país.

Proclamação da República

Causas

Cada setor da sociedade brasileira tinha seus motivos para desejar uma mudança de regime, sobretudo entre os militares, os republicanos, a elite agrária e os abolicionistas. Entre as causas do golpe, podemos citar os tópicos elencados abaixo.

Crise econômica

A crise foi causada, principalmente, pelas despesas para financiar a Guerra do Paraguai (1864-1870) e agravada pelos altos impostos e pelas taxas.

Abolição da escravatura

A proclamação da Lei Áurea, em 1888, encerrou um dos capítulos mais tristes da história do Brasil: a escravidão. Os grandes proprietários de terras, cuja produção estava baseada em mão de obra escrava, viram essa lei como um duro golpe em seus negócios.

Indenizações foram solicitadas ao governo imperial como forma de reparar os prejuízos com a libertação de todos os escravos. Com a negativa do governo, esse setor, até então um defensor da monarquia, acabou aderindo à causa republicana.

Rejeição ao príncipe regente

A idade avançada de Dom Pedro II, e o fato de o imperador não ter filhos homens também era visto como um problema. A Princesa Isabel já era a princesa regente do império, portanto, assumiria naturalmente o governo. Mas, seu marido, o francês Conde D’eu, era muito mal visto pela população em geral. Temia-se que, caso a princesa assumisse o trono, ele seria o governante de fato.

Insatisfação dos militares

Proclamação da República

Os militares ansiavam por mais autonomia na tomada de decisões, e não se sentiam valorizados pelo governo com relação à sua profissão, pois eram mal remunerados e a ascensão profissional era difícil,  uma vez que os critérios de mérito e antiguidade eram sobrepostos por indicações pessoais do Gabinete de Ministros, formado, em sua maioria, por civis. Além disso, a proibição, imposta pela monarquia, de qualquer manifestação pública sem autorização prévia deixou os militares indignados.

Na madrugada de 15 de novembro de 1889, após Marechal Deodoro proclamar a república, um grupo de militares se dirige ao Ministério da Guerra e prendeu o ministro Visconde de Ouro Preto.

A ideia inicial do Marechal, ele próprio um defensor da monarquia, era apenas destituir o Visconde, porém, incentivado por um boato de que seria, juntamente com outros militare, preso, concordou com o fim do regime imperial no Brasil. A República seria proclamada de forma oficial no mesmo dia, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Dom Pedro II, que estava em Petrópolis, ao saber do ocorrido, retorna ao Rio de Janeiro e tenta organizar um novo gabinete para substituir Ouro Preto. Só então o imperador foi informado de que se tratava de um golpe de estado.

No dia seguinte, Dom Pedro II recebeu do Major Frederico Sólon um documento que certificava a instauração de uma República e ordenava que o imperador e a família imperial saíssem do país. Temia-se que a permanência da família real pudesse incentivar uma tentativa de retorno à monarquia, por parte dos grupos favoráveis ao regime.

Curiosidades

  • A maçonaria e o positivismo, do filósofo francês Auguste Comte, foram grande influência para os líderes do movimento republicano. Essa influência pode ser vista na simbologia utilizada pela nova república, presente na bandeira do país, no Hino Nacional e em vários monumentos.
  • A data da proclamação, 15 de novembro, é feriado nacional.
  • A visão popular, de que a República era algo inevitável e desejada por todos tem sido contestada. Há um debate entre historiadores acerca da legitimidade, ou não, do movimento que instaurou tal regime no Brasil, sobre a coesão dos grupos envolvidos e, sobretudo, sobre a participação das classes mais pobres no processo.

Referências utilizadas neste conteúdo:

CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados. O Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas. O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

Gomes, Laurentino. 1889. Globo Livros. 2013.


Umberto Oliveira

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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