Voz passiva – O que é? Tipos e Exemplos

O verbo é a classe gramatical que sofre mais tipos de flexões na gramática. Além das flexões comuns relativas ao tempo e ao modo, por exemplo, os verbos também sofrem flexões referentes à voz.

A esse fenômeno damos o nome de vozes do verbo. Elas têm a capacidade de indicar a quem está direcionada a ação do verbo. Nesse sentido, as vozes do verbo serão classificadas de acordo com quem pratica a ação verbal e sobre quem essa ação recai.

Ao todo, são três classificações distintas: voz ativa, voz reflexiva e voz passiva. Essa última é a que nos interessa, neste texto.

De forma sucinta, podemos dizer que a voz passiva será o oposto da voz ativa. Nela, ocorre uma inversão da estrutura da oração, já que o sujeito passará a ser aquele que sofre com a ação do verbo, sendo denominado de sujeito paciente. A estruturação em sua forma passiva poderá ser feita de duas formas distintas, conhecidas como voz passiva analítica e voz passiva sintética ou pronominal. Confira cada uma, aqui no Gestão Educacional!

O que é voz passiva?

voz tônica

Para chegarmos à definição do que seria a voz passiva, será preciso tratar um pouco da voz ativa. Define-se voz ativa quando, na construção da oração, o sujeito será aquele que pratica a ação verbal.

Por exemplo: “Ana come maçãs”. Na oração, o sujeito “Ana” é o agente da ação verbal. É ela quem pratica a ação de comer a maçã. Cada um dos termos dessa oração pode ser classificado da seguinte forma:

  • Ana – sujeito ativo;
  • Come – verbo ativo;
  • Maçãs – objeto direto.

Com a definição do que é voz ativa, torna-se mais fácil conceituar a voz passiva. Para facilitar a compreensão, vamos utilizar a mesma oração e estruturá-la na forma passiva. Sendo assim, temos:

  • “Ana come maçãs” (Voz ativa)
  • “Maçãs são comidas por Ana” (Voz passiva)

Ao analisarmos as orações, podemos notar que ambas têm o mesmo tempo verbal e os mesmos termos, mas em ordens diferentes. Em sua forma passiva, “maçãs” tornou-se o sujeito da frase e é quem sofre a ação do verbo “comer”.

Para a sintaxe, os termos da oração na forma passiva são classificados da seguinte forma:

  • Maçãs – sujeito passivo ou sujeito paciente;
  • São comidas – verbo passivo;
  • Por Ana – agente passivo.

Repare que o sujeito ativo da voz ativa se torna o agente passivo na voz passiva, enquanto o objeto direto da voz ativa é o sujeito passivo na forma passiva da frase.

Após essas análises, podemos definir voz passiva como a oração em que o sujeito sofre com a ação verbal praticada pelo agente passivo. Geralmente, o agente passivo vem regido pela preposição “por”. Somente em alguns casos ele poderá vir precedido pela preposição “de”.

[LEIA TAMBÉM: PREPOSIÇÃO – O QUE É?]

Mesmo sendo destacados na estruturação da frase, os termos denominados como sujeito passivo e agente passivo não são obrigatórios para se determinar a existência da oração em sua forma passiva. Em alguns momentos, eles poderão ser indeterminados. Por exemplo: “A notícia foi anunciada” (Voz passiva com agente passivo indeterminado).

Apesar de a frase estar em sua forma passiva e o sujeito “A notícia” sofrer a ação do verbo, o agente passivo está indeterminado, ou seja, não aparece na frase.

Um último detalhe a ser mencionado é que a voz passiva na norma padrão somente poderá partir de um verbo transitivo direto. Qualquer flexão verbal em sua forma passiva com verbos transitivos indiretos será considerada coloquial. Por exemplo:

  • “Nós assistimos ao programa” (Voz ativa com verbo transitivo indireto);
  • “O programa é assistido por nós” (Voz passiva coloquial).

Voz passiva analítica

Na construção da voz passiva analítica temos a junção de uma verbo auxiliar (ser ou estar) com o verbo principal no particípio. O tempo verbal do verbo auxiliar na forma passiva deverá seguir o mesmo tempo verbal da voz ativa para que esteja correto.

  • “O funcionário fez o serviço” (Voz ativa – pretérito perfeito do indicativo);
  • “O serviço foi feito pelo funcionário” (Voz passiva – pretérito perfeito do indicativo).

Voz passiva sintética ou pronominal

A voz passiva sintética ou pronominal é assim denominada pela presença do pronome apassivador “se”. Para construir uma oração na forma passiva pronominal, será necessária a junção de um verbo principal conjugado na 3ª pessoa, mais o pronome apassivador “se”. Esse é um caso em que o agente passivo será indeterminado, ou seja, ele não será um elemento integrante da oração.

  • “Vendem as casas” (Voz ativa);
  • “Casas são vendidas” (Voz passiva analítica);
  • “Vendem-se casas” (Voz passiva sintética).

Repare que, apesar de o termo “casas” vir posterior ao verbo na forma passiva sintética, é ele quem sofre a ação do verbo. Por isso, não pode ser confundido com o agente passivo.

Gostou? Então, confira o conteúdo completo sobre vozes verbais! 

Rafaela Mustefaga

Graduada em Letras Português/Inglês, pela PUCPR, é revisora e editora de textos informativos, apaixonada por línguas e literatura e professora nas horas vagas.

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