Chiquinha Gonzaga – Quem foi? Biografia e Principais Feitos

Chiquinha Gonzaga foi uma compositora e maestrina carioca. Sua figura se destaca na cultura brasileira pela forma corajosa como enfrentou a sociedade patriarcal tão opressora da época, criando uma profissão inédita para o sexo feminino.

Causando escândalo naquele tempo, Chiquinha Gonzaga foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Conheça mais sobre essa personalidade e sua biografia e os principais acontecimentos de sua vida, só aqui no Gestão Educacional!

Quem foi Chiquinha Gonzaga?

Chiquinha Gonzaga

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, ou somente conhecida como Chiquinha Gonzaga, nasceu em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro. Filha de um militar de notável linhagem no Império, com uma forra, filha de escrava, Chiquinha Gonzaga cresceu e teve uma educação em um momento de transformações no cotidiano da cidade.

Juventude

A jovem aprendeu a escrever, ler e fazer cálculos, além de estudar o catecismo e outras atividades femininas. No entanto, o que mais surpreendeu foi sua aptidão para tocar piano.

Sua primeira composição foi apresentada aos 11 anos de idade – a Canção dos Pastores, com a presença de versos criados pelo irmão de Chiquinha, Juca. Com 16 anos de idade, Chiquinha Gonzaga se casou com Jacinto Ribeiro do Amaral, um proprietário de terras e de gado na Ilha do Governador. Como dote, seu pai lhe deu um piano.

Ainda com essa idade, Chiquinha se tornou mãe – em 1864, nasceu João Gualberto, enquanto que no ano seguinte nascia Maria do Patrocínio, seu segundo filho.

Entretanto, as coisas não iam bem na vida da artista. O marido se viu desgostoso da maneira que a maternidade não havia afastado Chiquinha Gonzaga do piano, vendo-a compor valsas e polcas.

O piano ou o marido: sua escolhaChiquinha Gonzaga

No ano de 1865, o marido de Chiquinha Gonzaga se tornou coproprietário do navio São Paulo, fretado pelo Governo para o transporte de soldados, armas e escravos para a Guerra do Paraguai.

Mesmo de temperamento forte, decidido e rebelde, Chiquinha se viu obrigada a ir com Jacinto em algumas dessas viagens, sendo afastada do piano e da música em geral.

Com as cenas violentas e os maus-tratos aos negros alforriados que presenciou, Chiquinha Gonzaga passou a se revoltar.

Mesmo voltando para a casa de seus pais, não recebendo apoio deles. Chiquinha descobriu que estava novamente grávida e voltou a viver com o marido. Em 1867, seu filho Hilário nasceu.

Entretanto, a convivência do casal durou pouco tempo – as brigas eram constantes e o marido simplesmente exigiu que Chiquinha escolhesse entre ele ou a música.

Ela não perdeu tempo ao escolher a música. Após a separação, cada um de seus filhos foi encaminhado para os cuidados de determinadas pessoas: Maria, pelos avós; João Gualberto, pelo pai; e o caçula, com uma tia materna.

Divórcio

Em 1870, Chiquinha Gonzaga estava com 23 anos, era separada e mãe de três filhos. Porém, isso não a afastou de sua paixão pela música. Embora tenha se apaixonado por um jovem engenheiro, com o qual morou no interior de Minas Gerais, gerando uma filha chamada Alice, o romance teve fim em 1876, com a criança sob a guarda do pai.

No ano seguinte, em 1877, Chiquinha Gonzaga foi julgada pelo suposto crime de abandono de lar e adultério, sendo condenada à separação perpétua de seu marido, Jacinto Ribeiro do Amaral. Ou seja, a compositora agora era uma mulher divorciada: algo que só virou um direito civil no Brasil um século depois.

Música popular

Chiquinha Gonzaga

Com 29 anos, Chiquinha Gonzaga trabalhava para sobreviver. E foi a partir desse momento que o seu nome começou a ser conhecido na música popular – o seu sustento? O piano. Chiquinha virou professora, pianista de conjuntos musicais e compositora.

Em 1877, sua primeira polca, chamada Atraente, foi publicada e ganhou uma popularidade imediatamente. No mesmo período, a compositora começou a fazer parte do Choro Carioca, um grupo liderado por Joaquim Antônio Callado.

De modo infeliz, Chiquinha não era vista com bons olhos pela sociedade, graças ao seu comportamento atrevido, designando títulos de cunho sexual em suas músicas, vestindo-se de forma diferenciada para a época, além de outras atitudes.

Entretanto, ela foi admirada por conta de seu trabalho. A primeira compositora teatral do país, Chiquinha Gonzaga, debutou em 1885 com a opereta “A corte na roça”, de Palhares Ribeiro.

Aos 37 anos de idade, Chiquinha Gonzaga foi reconhecida como maestrina.

Depois dos 40 anos

Chiquinha virou avó aos 42 anos – seu filho João Gualberto teve Valquíria como filha. Em 1891, suas filhas também se casaram, mas sem a presença da mãe.

No começo do ano de 1899, Chiquinha criou a primeira canção carnavalesca da história brasileira: “Ó Abre Alas”. Nesse ano, com 51 anos de idade, ela conheceu um rapaz português de apenas 16 anos com quem tivera um romance.

Perto de completar 70 anos, Chiquinha Gonzaga se tornou uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Sua morte ocorreu em 1935, com 87 anos.

Principais obras

Chiquinha Gonzaga possui um acervo de peças para piano, piano solo e canto que abrangem inúmeros ritmos, como  tangos brasileiros, valsas, polcas, baladas, modinhas, mazurcas, duetos, serenatas e outros.

Um de seus grandes destaques foi “Ó Abre Alas”, de 1889.


Rafaela Mustefaga

Rafaela Mustefaga

Graduada em Letras Português/Inglês, pela PUCPR, é revisora e editora de textos informativos, apaixonada por línguas e literatura e professora nas horas vagas.

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