Imperialismo cultural – O que é? Exemplos

A cultura também é usada como ferramenta de poder e dominação por parte dos países, que podem demonstrar toda a sua força por meio da violência, pelo seu desenvolvimento econômico e, de uma forma mais amena e persuasiva, por meio da imposição de seus valores culturais.

O problema é que isso pode interferir na independência cultural das nações afetadas, que perdem as características que formam a sua essência, justamente por passarem a aderir padrões, normas, crenças e valores da nação dominante.

Vale dizer que esse processo nem sempre é feito de maneira tranquila, enfatizando o imperialismo cultural dos tempos atuais. Neste artigo, vamos abordar do que se trata exatamente o imperialismo cultural, e apresentar alguns exemplos para clarear o entendimento, só aqui, no Gestão Educacional!

O que é imperialismo cultural?

O imperialismo cultural remete a um processo de correlação de forças de poder que tem como objetivo homogeneizar a cultura de uma sociedade. Trata-se de um fenômeno mundial, em que as indústrias culturais mais poderosas, bem como os atores locais do Ocidente, dominam outras culturas locais, regionais e também nacionais.

Esse conceito é muito utilizado para analisar os fenômenos de comunicação de massa, partindo da ideia de que uma força cultural imperialista operaria de uma maneira ofensiva e ideológica nos bastidores dos produtos dos principais meios de comunicação e cultural em geral. Grandes pensadores da cultura e da comunicação – casos do sociólogo francês Pierre Bordieu e do sociólogo belga, radicado na França, Armand Mattelart – vêm tratando, desde os anos 1960, do imperialismo cultural como a capacidade de manipular e dominar as audiências, em especial aquelas nas denominadas “nações periféricas”, como os países latino-americanos.

A expressão “imperialismo cultural” é vista de maneira negativa e seus discursos costumam ser apresentados como uma ameaça. Silvio Antonio Luiz Anaz apresenta no artigo Imperialismo cultural: a falibilidade do paradigma clássico da comunicação algumas definições sobre imperialismo cultural dentro desse viés. Com base no The Fontana Dictionary of Modern Thought, ele mostra que esse termo tem como definição “o uso do poder político e econômico para exaltar e difundir os valores e hábitos de uma cultura estrangeira em detrimento de uma cultura nativa”.

A Enciclopédia Intercom de Comunicação destaca que o imperialismo cultural “centra suas análises nas questões de colonialismo cultural e de alienação nacional devido à subordinação dos meios de comunicação às influências estrangeiras, particularmente à americana”.

O problema é o impacto que isso gera nas culturas afetadas. Isso porque muitos lugares que possuem suas culturais regionais e autênticas enraizadas na sociedade acabam sendo prejudicados diante da tonelada de produtos midiáticos, comerciais e culturais que são produzidos pelas grandes potências, em especial pelos Estados Unidos.

Exemplos de imperialismo cultural

Desde a Antiguidade, podemos ver situações de imperialismo cultural. É o caso dos gregos, muito avançados intelectual, militar e economicamente em relação aos demais povos, o que fazia expandir sua cultura em relação às demais, especialmente durante o império de Alexandre Magno. O Império Romano também dominou as nações europeias, asiáticas e até da costa Norte da África por séculos, levando seu conhecimento e legado aos dominados.

Em tempos mais recentes, a Guerra Fria entre o Capitalismo dos Estados Unidos e o Comunismo da União Soviética (URSS) fez ambos os países disputarem corações e mentes durante décadas do século passado. Isso porque o embate não se dava apenas no plano militar e econômico, mas também no âmbito político e cultural, com a produção de filmes, livros, músicas e programas de televisão que procuravam valorizar suas respectivas nações e sistemas de governo.

E por falar nos Estados Unidos, Mattelart estudou alguns elementos do imperialismo cultural desse país e notou que os interesses desta nação compõem quase que todas as esferas da indústria cultural. Ele ressalta que esse processo se evidencia pela grande influência que os canais de comunicação e também a publicidade estadunidense exercem no dia a dia. Esse processo avançou após a queda da URSS, ficando sem um rival do mesmo patamar para rivalizar nessa área.

Vale ressaltar, no entanto, que o imperialismo cultural não ocorre apenas de países desenvolvidos em relação Estados menos desenvolvidos, mas também em países com nível de desenvolvimento semelhante. O mesmo vale para nações em desenvolvimento em relação a Estados subdesenvolvidos. Um exemplo deste último foi o soft power brasileiro nos anos do governo Lula, em que o Brasil teve uma atuação ativa e altiva nas relações internacionais e buscou expor uma imagem positiva perante o mundo. Um marco disso pode ser o amistoso de futebol entre a Seleção Brasileira e o Haiti em 2004, durante o período em que estiveram tropas brasileiras ajudando no restabelecimento da paz naquele país devastado por desastres naturais e golpes de Estado.

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

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