Jacaré-de-papo-amarelo – Características, Comportamento, Habitat, Alimentação, Reprodução

Os répteis são caracterizados pela sua pele coberta de escamas e seu aspecto peculiar. São representantes desse grupo as cobras, os lagartos, os crocodilos e as tartarugas. O Brasil é o terceiro maior em diversidade desses animais, com 795 espécies, de acordo com dados publicados em 2018.

Um réptil encontrado no Brasil e que chama muito a atenção é o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris). Ele pertence à ordem Crocodylia e à família Alligatoridae. Sua distribuição cobre o litoral do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul e representa cerca de 70% do total de sua área de ocorrência. Além disso, esse jacaré está presente nos países vizinhos: Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Características físicas do jacaré-de-papo-amarelo

O jacaré-de-papo-amarelo possui esse nome em função do seu ventre amarelado. Porém, a cor predominante no restando do corpo do animal é esverdeada ou marrom escuro.

Um indivíduo adulto possui entre 1,5 e 2 metros, mas alguns podem atingir até 3 metros de comprimento. Possuem pernas curtas e garras grandes. Seu focinho é longo e achatado, porém ainda é considerado o mais curto dentre os jacarés. Sua mordida é forte e sua língua é queratinizada na parte superior.

Apesar de poderem habitar a água salgada, não apresentam glândula de sal, órgão que elimina o excesso de sal do organismo.

Comportamento

A temperatura externa influencia o comportamento desse jacaré, que tem habito noturno. Porém, sai durante o dia para tomar sol, geralmente em grupo.

Após a postura dos ovos, as fêmeas se tornam mais agressivas e a temperatura corporal delas é maior durante o período reprodutivo.

Habitat

Vivem em áreas alagáveis de água doce e salgada, como brejos, mangues, lagos e rios. No Brasil, habitam o bioma Pantanal e podem também ser encontrados em áreas urbanizadas.

Alimentação

Jacarés-de-papo-amarelo se alimentam de invertebrados e vertebrados. Consomem principalmente peixes, mamíferos, crustáceos, moluscos, aves e répteis de pequeno porte. Essa característica alimentar posiciona os jacarés como consumidores de topo, tendo grande importância ecológica, por conta do controle que fazem da população de presas.

Reprodução

O período reprodutivo dessa espécie no Brasil é durante os meses mais quentes e quando ocorrem enchentes dos rios, entre agosto e janeiro. A ninhada possui entre 15 e 50 ovos. Os ninhos podem ser construídos em diferentes locais, desde aglomerados de vegetação flutuante, florestas, savanas e até aterros de áreas urbanas.

A incubação dos ovos dura de 65 a 90 dias. A variação na temperatura determina o sexo dos animais: até 31ºC os filhotes são fêmeas, com 33ºC os filhotes são machos e acima dessa temperatura, ambos os sexos são produzidos. Por isso, as mudanças climáticas afetam bastante essa espécie e outros répteis que têm o sexo determinado pela temperatura ambiental.

Quando os ovos estão para eclodir, o filhote vocaliza dentro do ovo para chamar a mãe. Após o nascimento, os filhotes vão para água e já conseguem se alimentar por conta própria.

A maior causa de mortalidade de embriões é devido ao ataque de fungos, bactérias, formigas e cupins. A predação dos ninhos também leva à perda de filhotes, por raposas, lagartos, quatis e aves aquáticas.

Curiosidades

O ciclo de vida do jacaré-de-papo-amarelo é longo, podendo ultrapassar os 70 anos de idade.

Estado de conservação

Essa espécie já esteve na lista de animais em extinção do IBAMA. Tal classificação foi definida devido, principalmente, à destruição de seu habitat, poluição dos rios e caça predatória. Atualmente, após a proibição da caça, a população voltou a crescer, mas encontra-se classificada como ‘Em Perigo’, no Rio de Janeiro, onde ainda é caçada e ameaçada pela poluição dos rios. A caça é motivada principalmente pelo medo e pela reputação negativa desses animais.

Na bacia do Rio São Francisco, pescadores caçam os jacarés para evitar que danifiquem suas redes de pesca quando vão em busca dos peixes capturados. Há também registros de pessoas que matam para se alimentar.

Atualmente, estudos têm sido conduzidos para reproduzir a espécie em cativeiro para consumo humano, tanto da carne quanto do couro. Essa atividade tem também como objetivo a conservação da espécie pela diminuição da pressão de caça das populações selvagens.

Bruna Manuele Campos

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela USP (2016 e 2018), tem 25 anos e é apaixonada pela natureza e por explorar o mundo. Quando não está se aventurando por aí, gosta de aquietar as pernas com livros e séries.

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