Mais-valia – O que é? Formação e Exemplos

A mais-valia é um conceito importante no pensamento do alemão Karl Marx (1818-1883), filósofo e economista considerado um dos principais pensadores do socialismo. Essa chave de análise é estudada dentro da perspectiva do materialismo histórico, ponto vital na teoria marxista, que define que a realidade material das pessoas é a maior responsável pela maneira como elas se desenvolvem na sociedade.

No materialismo histórico, os fenômenos sociais estão nos contextos materiais de cada indivíduo. Ou seja, as situações materiais vividas pelas pessoas dentro da sociedade capitalista é que vão definir cada uma delas. Diante disso, a relação entre o capital e o trabalho é o que vai moldar cada ator, já que é por meio do trabalho que o homem obtém o seu sustento e, por outro lado, quem detém os meios de produção consegue obter, pela via da criação do produto pela força de trabalho do funcionário, o seu lucro.

Diante disso, a mais-valia é considerada um elemento central dentro do contexto de dominação capitalista que os donos dos meios de produção possuem em relação ao trabalhador assalariado.

Mais-valia

O que é Mais-valia?

No artigo Valor e mais-valia: examinando a atualidade do pensamento econômico de Marx, Paulo Ricardo Gontijo Loyola explica que para Marx, a mais-valia é a maneira como o capitalismo explora os trabalhadores. Isso porque, a mais-valia é composta pela diferença estabelecida entre o valor do produto e o valor do capital que é destinado para a produção daquele item.

“O trabalhador vende ao capitalista a sua força de trabalho, recebendo em troca um salário capaz de garantir a reprodução desta. Em sua atividade, porém, gera um excedente, ou seja, um valor superior àquele necessário a essa reprodução, o qual é apropriado pelo capitalista. Esse excedente denomina-se mais-valia”, resume Loyola.

Isso é importante porque, dentro da concepção marxista, o capitalismo se baseia nessa relação entre o trabalho assalariado e o capital, em especial no que tange à produção do capital a partir da expropriação do valor do trabalho do funcionário por parte do empresário, detentor dos meios de produção. Ou seja, é a partir dessa mais-valia que a dominação do capital se produz.

Formação da Mais-valia

Para compreender mais sobre a mais-valia, é importante entender sobre outros aspectos relacionados, como o trabalho e o valor de troca. Este último, para Marx, era determinado pela quantidade de trabalho empregado durante a sua confecção. No que tange ao trabalho, o filósofo alemão considerava que o trabalho também possuía valor agregado, sendo este determinado pelo valor dos meios de subsistência (alimentação, casa, transporte, saúde, etc.), que são fundamentais para o trabalhador sobreviver e continuar produzindo.

O interessante é notar que o pagamento feito ao trabalhador corresponde apenas a esse meio de subsistência, para manter o funcionário vivo para continuar a fazer o seu serviço. Ocorre que o valor do produto supera esse valor, constituindo, assim, a mais-valia.

Por outro lado, o funcionário, que não tem os meios de produção para vender o produto feito por ele, precisa vender o seu corpo para obter o salário para ter o que comer e fazer as outras coisas de que necessita. Sendo assim, a força de trabalho é também uma mercadoria, comprada pelo empresário junto ao empregado para que o produto seja manufaturado.

Capitalismo

Exemplos

Para destacar os exemplos de mais-valia, é importante comentar que há dois tipos deste conceito: a mais-valia absoluta e a mais-valia relativa.

No primeiro caso, ela poderia acontecer devido ao aumento no ritmo de trabalho, ou mesmo por conta da vigilância em relação ao processo de produção. A ameaça à perda do emprego diante do não cumprimento de metas também se enquadraria à mais-valia absoluta. Em resumo: o empregador exige mais e mais do funcionário para obter maior retorno financeiro na produção de determinada mercadoria, mas não repassa nada desse lucro excedente ao subordinado, que fica com o capitalista, para expandir seus negócios e seu poder.

A mais-valia relativa, por sua vez, está mais relacionada ao avanço da ciência e da tecnologia. Por exemplo, se o empresário não consegue mais aumentar a sua produção a partir de uma maior exigência sobre seus funcionários, ele busca melhorias tecnológicas que façam com que o processo seja mais otimizado e acelerado, gerando mais lucro com menos recursos. Mais uma vez, porém, o trabalhador não receberia nenhum bônus pela participação nesse processo. Pelo contrário, aos poucos, acabaria sendo substituído pelas máquinas.

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

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