Regência Verbal – O que é? Tipos, Exemplos e Exercícios com gabarito

A regência nada mais é do que a função que determinados termos, chamados regentes, desempenham sobre outros termos, chamados regidos. As palavras de uma oração não estão todas isoladas, pelo contrário: estão relacionadas, unidas; são interdependentes umas das outras.

É a partir da regência que a oração é estruturada. Os termos secundário (regidos) vão se agrupando em volta dos termos principais (regentes).

A regência verbal, especificamente, é a relação entre os verbos e os demais termos que:

  • Complementam seus sentidos: objetos diretos e objetos indiretos
  • Caracterizam-nos: adjuntos adverbiais

Recomendamos que leia os nossos artigos a respeito dos objetos diretos e indiretos e dos adjuntos adverbiais para entender melhor essa questão antes de se aprofundar no estudo da regência.

Verbos transitivos e intransitivos

Para entender a questão da regência verbal, é preciso entender o que são verbos transitivos e verbos intransitivos.

Os verbos intransitivos são aqueles que expressam uma ideia completa. Logo, eles possuem significados já completos, não dependendo de outros termos para isso. Dizemos, então, que esse verbo é de predicação completa. Confira um exemplo:

  • Bruna sorriu.

Nesse exemplo, o verbo em negrito é um verbo intransitivo. Isso porque ele possui significado completo nele mesmo, não exigindo a presença de outros termos.

Por outro lado, os verbos transitivos são aqueles que não possuem significação completa. Eles sempre exigem a presença de palavras de valor substantivo (sendo objetos diretos ou indiretos) para completarem os seus significados. Veja:

  • Rita comprou uma cadeira.

O termo em negrito no exemplo acima é um verbo transitivo. Isso porque “comprar” não possui significação completa. Se disséssemos apenas “Rita comprou”, ficaria a pergunta: “mas comprou o quê?”. Eis que surge, então, “uma cadeira”, objeto direto, para completar o sentido do verbo “comprar”.

Portanto, há um caso de regência verbal neste processo de o verbo transitivo invocar um complemento (direto ou indireto) a fim de o que seu sentido seja completado.

Objeto direto e objeto indireto

Além disso, outra diferença que precisamos compreender é a diferença entre objeto direto e objeto indireto.

Há duas maneiras de o verbo ligar-se aos seus complementos:

  • Diretamente, sem uma preposição;
  • Indiretamente, através do uso de uma preposição.

Quando o complemento se liga ao verbo diretamente, sem uma preposição, ele recebe o nome de “objeto direto”.

Por outro lado, quando a ligação acontece através do emprego de uma preposição, o complemento é chamado “objeto indireto”.

Confira os exemplos:

  • Andressa namora
  • Eu gosto de você.

Em (c), o verbo “namorar” é transitivo direto. O complemento exigido para completar seu sentido uniu-se diretamente ao verbo, sem a presença de uma preposição. “Guilherme”, portanto, é objeto direto do verbo “namorar”.

Já em (d), o verbo “gostar” é transitivo indireto. Perceba que o complemento verbal uniu-se ao verbo através da preposição “de”. Logo, “de você” é objeto indireto do verbo “gostar”.

Regência verbal de alguns verbos

Por fim, tendo tudo o que mencionamos acima em mente, especialmente o fato de que alguns verbos exigem outros termos que complementam seus sentidos, confira a seguir a regência de alguns verbos para compreender melhor como funciona na prática.

Aspirar

O verbo aspirar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. A regência a se escolher dependerá do sentido do verbo.

1) Por exemplo, quando “aspirar” aparece com o sentido de “respirar” ou “sorver”, ele é transitivo direto. Veja:

  • Acabei aspirando todo o pó. (transitivo direto, pois não é conectado ao complemento por preposição)

2) Por outro lado, quando ele aparece com o sentido de “pretender” ou “desejar”, ele é objeto indireto, sendo introduzido pela preposição “a” ou “por”. Confira:

  • Todos nós aspiramos a um mundo ser violência. (transitivo indireto, pois o complemento foi introduzido pela preposição “a”)

Assistir

Assistir também é um verbo com uma regência peculiar e que causa dúvida em muitos estudantes. Ele também pode ser transitivo direto ou transitivo indireto, a depender da utilização. A seguir, veremos uma das várias regências do verbo “assistir”.

1) Com o sentido de “presenciar” ou “estar presente”, o verbo assistir é transitivo indireto, com o complemento sendo introduzido pela preposição “a”. Por exemplo:

  • Eu assisti àquela partida. (“àquela” = preposição “a” + pronome “aquela”; logo, transitivo indireto)

Porém, no português coloquial, “assistir” é frequentemente usado como verbo transitivo direto. Por exemplo:

  • Eu assisti a partida de futebol. (transitivo direto, pois o “a” é artigo, e não preposição)

Chamar

Veja algumas das regências do verbo “chamar”.

1) Com o sentido de “convocar” ou “fazer vir”, o verbo “chamar” é transitivo direto. Veja:

  • Eu chamei Miguel para jogar videogame.

2) No sentido de “invocar”, é transitivo indireto, pedindo a preposição “por”

  • Eu chamei por São Sebastião, mas não fui ouvido.

3) Em alguns casos, pode até mesmo ser intransitivo, quando significa “dar ou fazer sinal com a voz ou o gesto, para que alguém venha”

  • Chamou? perguntou o secretário.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

Conheça Mais Sobre o Autor

Teste seus conhecimentos sobre Regência Verbal – O que é? Tipos, Exemplos e Exercícios com gabarito

1) (FGV-2007) Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta.

  • a) As crianças, obviamente, preferem mais os doces do que os legumes e verduras.
  • b) Assista uma TV de LCD pelo preço de uma de projeção e leve junto um Home Theater!
  • c) O jóquei Nélson de Sousa foi para Inglaterra visando títulos e euros.
  • d) Construir impérios a partir do nada implica inovação e paixão pelo risco.

2) (ESPM-2006) Embora de ocorrência frequente no cotidiano, a gramática normativa não aceita o uso do mesmo complemento para verbos com regências diferentes. Esse tipo de transgressão só não ocorre na frase:

  • a) Pode-se concordar ou discordar, até radicalmente, de toda a política externa brasileira. (Clóvis Rossi)
  • b) Educador é todo aquele que confere e convive com esses conhecimentos. (J. Carlos de Sousa)
  • c) A sociedade brasileira quer a paz, anseia por ela e a ela aspira.
  • d) Interessei-me e desinteressei-me pelo assunto quase que simultaneamente.

3) (FEI-1997) Assinale a alternativa em que haja erro de regência verbal:

  • a) Deu-lhe um belo presente de aniversário.
  • b) Fui no cinema ontem.
  • c) Levei-o para o médico esta manhã.
  • d) O lenço caiu no chão.

4) (Fiocruz) Assinale a frase onde a regência do verbo assistir está errada.

  • a) Assistimos um belo espetáculo de dança a semana passada.
  • b) Não assisti à missa.
  • c) Os médicos assistiram os doentes durante a epidemia.
  • d) O técnico assistiu os jogadores.

5) (UPM – SP) – A regência verbal está errada em:

  • a) Não simpatizei com ele.
  • b) O filme a que assistimos foi ótimo.
  • c) Faltou-me completar aquela página.
  • d) Aspiro um alto cargo político.

6) (FGV-2007) – Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta.

  • a) As crianças, obviamente, preferem mais os doces do que os legumes e verduras.
  • b) Construir impérios a partir do nada implica inovação e paixão pelo risco.
  • c) O jóquei Nélson de Sousa foi para Inglaterra visando títulos e euros.
  • d) A Caixa Econômica informou os mutuários que não haverá prorrogação de prazos.

7) (UNIMEP) – Quando implicar tem sentido de “acarretar”, “produzir como consequência”, constrói-se a oração com objeto direto, como se vê em:

  • a) Uma nova briga implicará situação desconfortável.
  • b) O atraso no pagamento do carnê implica em juros.
  • c) Pelo que diz o assessor, isso implica em gastos.
  • d) Todos implicam com gremistas.

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