Tiradentes – Quem foi? Biografia e Feitos

Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, foi um militar do Exército Brasileiro que teve participação ativa em uma das mais famosas revoltas da história brasileira: a Inconfidência Mineira.

Considerado um herói nacional a partir da Proclamação da República, é um dos personagens mais famosos da história brasileira, tendo a data de sua morte sido transformada em feriado nacional.

Juventude

Tiradentes

Tiradentes nasceu em 12 de novembro de 1746, na Fazenda do Pombal, próxima à vila de São João del Rey, Capitania de Minas Gerais. Filho de um pequeno proprietário rural português e quarto de sete filhos, teve uma vida razoável até a morte da mãe, seguida da morte do pai em 1757.

Com apenas onze anos, Tiradentes e os irmãos perdem a fazenda por conta das dívidas da família.

Então, Tiradentes passa a viver com o tio, que era dentista e com quem, provavelmente, aprendeu as técnicas da profissão. Também, trabalhou como mascate e minerador.

Em 1780, alistou-se na tropa da capitania de Minas Gerais, atuando na patrulha que protegia a estrada do Caminho Novo, por onde passava a produção da mineração com destino ao porto do Rio de Janeiro e chegando ao posto de Alferes. Insatisfeito com o exército, pede licença das funções em 1787, indo morar no Rio de Janeiro.

A inconfidência

De volta a Minas Gerais, Tiradentes passou a ter contato com membros da elite da região. Entre eles, havia padres, como José da Silva e Oliveira Rolim e Manoel Rodrigues da Costa, poetas, como Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, e militares, como o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o capitão José de Rezende Costa e o coronel Joaquim Silvério dos Reis.

Muitos deles haviam estudado em Portugal, onde tiveram contato com os ideais liberais que vinham sendo Tiradentesdifundidos no Velho Continente.

Além disso, estavam profundamente descontentes com a maneira como a Coroa portuguesa administrava a região. O rei cobrava o Quinto, um imposto considerado abusivo por muitos, que reservava um quinto de toda a produção aurífera da região que, ano após ano, diminuía.

Além disso, a ameaça da Derrama, uma cobrança compulsória referente às dívidas da capitania (em função da queda na mineração do ouro), deixou todo mundo alarmado, pois, se fosse realmente cobrada, poderia significar a ruína de muitos.

Em vista desses acontecimentos, o grupo decidiu iniciar uma revolta que visava a separação de Minas Gerais do Reino de Portugal e, consequentemente, a criação de uma república.

Esse movimento era local e não tinha a intenção de envolver outras partes do país. Também não foi aventada a hipótese do fim da escravidão, dado que muitos membros do movimento utilizavam mão de obra escrava.

A ação ocorreria na data em que começasse a derrama, para aproveitar o clima de insatisfação que seria gerado. Mas, a derrama não chegou a acontecer, pois os planos dos inconfidentes foram revelados. Entre os delatores estava Joaquim Silvério dos Reis, um de seus principais membros. Já Tiradentes estava no Rio de Janeiro buscando apoio para o movimento, onde acabou preso.

Julgamento e morte

 O julgamento dos envolvidos na revolta durou cerca de três anos. Todos foram acusados pelo crime de lesa-majestade, ou seja, traição ao Rei, considerado crime gravíssimo. A pena para esse crime era a morte, e vários foram, de fato, condenados, porém, receberam clemência da rainha D. Maria I, e as sentenças foram alteradas para degredo (exílio), exceto a de Tiradentes.

Tiradentes foi executado por enforcamento no dia 21 de abril de 1792, no Rocio, atual praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Após a morte, seu corpo foi esquartejado, e seus membros enviados para locais diferentes, para serem exibidos – a coroa portuguesa quis fazer dele um exemplo, evitando assim futuras revoltas.

A imagem de Tiradentes

Tiradentes

Até o século X, a Inconfidência Mineira era um obscuro movimento separatista que não chegou a ser implantado, e da qual pouco se falava, e o mesmo vale para Tiradentes. Tudo mudou quando a República foi proclamada, em 1889.

O novo governo precisava encontrar novos símbolos para substituir os antigos, e heróis para legitimar o ideal republicano. Dessa forma, a imagem de Tiradentes foi reconstruída, passando de um simples alferes para um mártir que deu a vida lutando contra a monarquia – um herói nacional, representado com barba e cabelos longos, semelhante a Jesus Cristo, e que facilmente ganhou espaço no imaginário popular. E graças a isso, a Inconfidência Mineira se tornou um dos mais famosos movimentos revolucionários da história do país.


Referências utilizadas neste conteúdo:

http://www.arquivonacional.gov.br/media/v.4,%20n.1,%20jan,%20jun,%201989.pdf
Chiavenato, Júlio José. As várias faces da Inconfidência Mineira. Contexto, 1989.
Maxwell, Kenneth. A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira. Brasil e Portugal (1750-1808). Paz e Terra. 2009.


Umberto Oliveira

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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