Cultura Tupi-Guarani – Arte, Culinária, Religião e Modo de Vida

Tupi-Guarani é o termo utilizado para definir uma das 10 famílias linguísticas que fazem parte do tronco tupi. O tronco linguístico representa uma série de línguas que possuem a mesma origem: uma língua mais antiga e que não é mais utilizada.

Ocorre que, por essa língua ter sido falada há muito tempo, é difícil notar as semelhanças entre as descendentes. Já a família linguística corresponde a um conjunto de línguas que também detêm a mesma origem, porém, demonstram mais semelhanças.

No Brasil, há dois troncos: o Tupi, com 10 famílias, e o Macro-Jê, com nove. Há, também, outras 20 famílias que não são agrupadas em troncos, por não possuírem semelhanças entre si.

Da língua tronco Tupi ramificaram 10 famílias: Tupi-Guarani, Arikém, Awetí, Juruna, Mawé, Mondé, Purorobá, Mundurukú, Ramarama e Tuparí.

A família Tupi-Guarani encontra-se não apenas no território brasileiro, mas também em nações vizinhas, como Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Peru, Venezuela e até no território francês da Guiana. Já as demais do tronco tupi estão exclusivamente no Brasil, ao sul do rio Amazonas.

A seguir, no Gestão Educacional, conheça mais a respeito da cultura e do modo de vida das tribos pertencentes ao tronco Tupi-Guarani.

Tupi-guarani

Arte

A arte indígena é bastante variada, mas tem no uso de elementos da terra a principal característica. A pintura corporal, por exemplo, era feita a partir de tintas naturais encontradas em árvores e frutos diversos. A que provinha do jenipapo era a mais comum, assim como a que se produzia com a semente de urucum. Os desenhos eram feitos para comemorações ou rituais.

Outro tipo de arte muito difundido era a partir de penas e plumas de animais. Eram produzidos flechas, cocares e outros adornos, todos tingidos com tintas e usados, em geral, pelos homens.

A dança também era muito focada entre os homens, especialmente na cultura Tupi-Guarani. É o caso do cururu, uma dança sagrada em que só os homens participam e a coreografia é feita a partir de duas filas indianas, sendo uma de frente a outra, em que os dançarinos dão dois passos para a direita e outros dois para a esquerda, o que acaba formando pequenos círculos.

Tupi-guarani

Culinária

A culinária dos índios Tupi-Guarani era baseada naquilo que eles conseguiam caçar e coletar na terra. Em geral, se comia peixe, carne, milho cozido (avaxi), batata-doce (jety), mandioca (manji’o), ambas assadas, além do amendoim (manduvi). Há indícios de que eles já estavam desenvolvendo agricultura com alguns alimentos antes mesmo dos europeus chegarem às Américas.

Faziam parte da alimentação diária dos índios frutas silvestres como cajá, maracujá, jabuticaba, araçá, além de ovos de pássaros, gafanhotos, formigas, abelhas, larvas etc.

Religião

Em geral, até a chegada dos portugueses em território brasileiro, os índios eram politeístas e baseavam suas crenças na natureza, especialmente na divindade de animais, plantas, além do próprio homem interagindo com todos os elementos à sua volta. A invasão do Brasil pelo reino português impôs a crença católica monoteísta, especialmente a partir das missões jesuíticas, que converteram milhares de índios para se tornarem servos dóceis dos portugueses em terras tupiniquins.

A religiosidade indígena é muito baseada em rituais e ritos de passagem, como o da vida de criança para a fase adulta, além da morte. Uma característica muito comum das tribos indígenas, em especial da Tupi-Guarani é o xamanismo, em que um homem é o líder espiritual responsável por curar e também por conduzir os rituais existentes na tribo – até mesmo pode ajudar a resolver conflitos internos. O xamã é, na língua Tupi-Guarani, chamado de “pai’é”, o que acabou sendo transformado pela Língua Portuguesa para “pajé”.

Embora em algumas culturas o xamã possa ser indicado a partir da hereditariedade, na cultura Tupi-Guarani, essa não é uma condição primordial. Nesse caso, é muito mais valorizado o fato de ser um dom que pode ser descoberto e desenvolvido por meio do aprendizado.

Tupi-guarani

Modo de vida

A base de sua organização social, política e econômica é a família extensa, ou seja, grupos macro familiares que possuem maneiras próprias de ocupação espacial dentro da aldeia (tekoha), e que são determinados por relações consanguíneas e de afinidade.

Há o casal, os filhos, os genros, os netos, os irmãos, que constituem uma unidade de produção e consumo. Para cada família, há uma liderança, que, em geral, é o avô (Tamõi), mas também é possível que seja a avó (Jari). Tal líder mantém a família unida e a orienta.

Até por conta dessa formatação das famílias na aldeia, as habitações dos Tupi-Guarani costumam ser coletivas, sendo separadas por cada núcleo familiar.

As ocas podem ser construídas de forma circular ao redor de um espaço maior no centro, para a celebração das festas e dos rituais.

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Rodrigo Herrero Lopes

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

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