História da Argentina – Primeiros habitantes, Espanhóis, Independência e Guerras

A Argentina é um dos maiores e mais desenvolvidos países da América do Sul, com a capital em Buenos Aires. É membro fundador do Comércio Comum do Sul (Mercosul), junto com Brasil, Uruguai e Paraguai.

Ao longo do século, o país passou por uma violenta ditadura militar, uma guerra contra a Inglaterra, além de inúmeras crises econômicas.

Os primeiros habitantes

Os vestígios da presença humana no território da Argentina remontam há, pelo menos, 11 mil anos. Ao longo do tempo, vários povos viveram neste território, entre eles os Guaranis, Aruaques, Guaycurús, Mapuches, Quéchuas e Charruas.

Chegada dos espanhóis

Os primeiros europeus chegaram à região com a expedição de Américo Vespúcio, que contornou a entrada do Rio da Prata, em 1502. Daí seguiram-se outras navegações, como a do navegador espanhol Juan Díaz de Solís, que navegou pelo Rio da Prata em 1516, e as de Fernão de Magalhães, que contornaram o território em busca de uma passagem para o Oceano Pacífico.

A ocupação do território começou por volta de 1534, quando a parte norte da atual Argentina foi entregue a Pedro de Mendoza, enquanto a parte sul ficava a cargo de Pedro Sarmiento de Gamboa. 

Mendoza chegou ao Rio da Prata em 1536 e fundou o Porto de Santa María del Buen Ayre, a futura Buenos Aires. A colonização continuou de maneira paulatina, com a fundação de várias cidades, que séculos mais tarde dariam origem às províncias argentinas.

Ainda no século XVI é iniciada a exploração da prata na região, acentuando-se no século seguinte, com a utilização de mão de obra indígena, resultando na conquista e dizimação de várias tribos. Em 1776, a Argentina se torna o Vice-Reinado da Prata, com capital em Buenos Aires.

Independência da Argentina

Entre 1806 e 1807, os ingleses tentaram invadir Buenos Aires para transformá-la em colônia, mas foram derrotados. Aproveitando-se da situação, e influenciados pela Independência Norte-americana e pela Revolução Francesa, a burguesia comercial da cidade deflagrou uma revolução em 1810.

O processo de independência só foi concluído em 1816. Devido à rivalidade entre a capital e as províncias, surgiu uma guerra civil. Somente em 1853 os unitaristas conseguiram unificar o território e promulgar a Primeira Constituição da Argentina.

Entre 1865 e 1870, a Argentina se uniu ao Brasil e ao Uruguai no Tratado da Tríplice Aliança, para lutar contra as forças paraguaias, na Guerra do Paraguai.

Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, a Argentina foi o destino de várias levas de imigrantes vindos da Europa, com impacto significativo na sociedade argentina.

O Peronismo

Em 1943, um golpe de estado, liderado pelo então coronel Juan Domingo Perón, derrubou o governo, levando o general Arturo Rawson à Presidência. De fato, quem ocupava o poder era Perón. Em outubro de 1945, Perón elegeu-se presidente, e sua mulher, Eva Perón (Evita), tornou-se sua principal assessora.

Em 1948, Perón começou a implementar um programa econômico, criando leis de proteção social e trabalhista, entre outras medidas, ao mesmo tempo em que diminuía as liberdades e tratava de aumentar o seu poder.

Em 1951, Perón suprimiu a liberdade de expressão e, em 1954, entrou em conflito com a Igreja Católica. Um golpe de Estado o obrigou a renunciar em 1955 e a fugir para o exílio na Espanha. Ele voltaria a ocupar a presidência em 1973.

Ditadura argentina

Perón morreu em 1974 e sua então esposa Isabelita assumiu a Presidência. Em 1976, uma junta militar realizou um novo golpe de Estado, depondo Izabelita e dissolvendo o Congresso. A junta militar suspendeu todos os direitos individuais e constitucionais e deu início a um período de violência, eliminando os opositores da ditadura por meio de prisões, sequestros e assassinatos.

A ditadura argentina deixou um rastro de violência e morte, com inúmeras vítimas, cujas mortes até hoje não foram esclarecidas. A política econômica adotada arruinou o país, aumentando drasticamente a dívida pública.

Guerra das Malvinas e fim da ditadura

Em 1982, o governo militar, como forma de despertar o nacionalismo do povo argentino e, ao mesmo tempo, desviar a atenção dos problemas econômicos, enviou tropas às ilhas Falkland/Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, um território ocupado pelos ingleses desde o século XVIII, dando início à invasão dos arquipélagos.

A reação do Reino Unido foi imediata. Em apenas 45 dias de combates, a Argentina se rendeu. Diante da repercussão da derrota, a já combalida junta militar convocou eleições gerais para 1983, decretando o fim do regime militar e a volta da democracia.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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