Luta de classes – O que é? Exemplos e Críticas ao Conceito

Chamamos luta de classe um fenômeno social que opõem grupos antagônicos em luta pela defesa de interesses próprios. Essa oposição pode se dar de diversas formas, sobretudo nos campos da economia, ideologia e política

Foi algo muito presente na história da humanidade, embora conhecida por outros termos, e cujas motivações também mudavam de acordo com seu período e contexto. Confira, a seguir no Gestão Educacional, mais informações a respeito desse tema!

Conceito de luta de classes

Luta de classes

Na opinião de grandes pensadores como Karl Marx, Bakhuini e David Ricardo, a luta de classes seria o grande motor transformador por trás das grandes mudanças. O conceito foi eternizado com a obra de Marx, que colocou a luta de classes como uma das figuras centrais de suas ideias.

Para ele, uma classe se forma quando seus membros adquirem a consciência de sua situação e de seu conflito com outros grupos, ajudando-se mutuamente, e defendendo interesses em comum.

Na análise do autor, existem dois grupos principais: os trabalhadores ou proletários, que, nessa visão, são explorados, e a burguesia, os donos do capital, os exploradores.

Os primeiros são explorados economicamente pelos segundos, e essa exploração só cessaria quando os proletários tomassem os meios de produção, decretando o fim das classes e a igualdade entre os homens.

Essa é, a grosso modo e de forma bem resumida, a visão de luta de classes por uma perspectiva marxista.

Lutas de classe ao longo da história

A história está cheia de exemplos nos quais grupos antagônicos entraram em conflitos por questões sociais, econômicas ou políticas. Vejamos alguns desses exemplos, que serão abordados de forma bem resumida:

Luta de classes

Guerras servis

Entre os séculos II e I a.C., Roma foi abalada por três grandes revoltas de escravos, conhecidas como as Guerras Servis. Os escravos, muitas vezes prisioneiros de guerra transformados em gladiadores, ou escravos por dívidas, buscavam melhores condições de vida ou, quando possível, a liberdade.

A maior dessas guerras ocorreu entre os anos de 73 e 71 a.C., liderada pelo famoso gladiador Espártaco. Em todas essas guerras, os escravos terminaram derrotados.

As jacqueries

Em 1358, durante a Guerra dos Cem Anos, estourou uma revolta camponesa contra a nobreza da França. A revolta ficou conhecida como Jacqueries, por causa de Guillaume Cale, conhecido como Jacques Bonhomme, uma expressão que pode ser traduzida como “João ninguém”.

O conflito foi uma reação às derrotas francesas contra os ingleses na Batalha de Poitiers, na qual o próprio rei francês foi feito prisioneiro. O vazio de poder, a fortuna em resgate que deveria ser paga e a descrença com relação à nobreza impulsionaram uma parcela da população camponesa a se sublevar. A revolta durou pouco mais de um mês, até ser sufocada pelos exércitos do rei.

Revolução francesa

Talvez o maior conflito (e mais complexo) envolvendo diferentes classes, tais como trabalhadores, camponeses e pequenos burgueses contra os privilégios da nobreza, ao mesmo tempo em que esses grupos disputavam interesses entre si. As repercussões desse evento abriram portas para inúmeras mudanças sociais, políticas e econômicas no século XIX.

Comuna de Paris

Essa revolta, ocorrida ente 18 de março e 28 de maio de 1871, em Paris, teve como resultado o primeiro governo operário da história, embora tenha tido duração efêmera.

Surge como uma reação de parte da população à possível capitulação francesa durante a Guerra Franco-Prussiana. Contrários ao possível desfecho do conflito, grupos se rebelaram na capital, provocando a fuga das Luta de classesautoridades.

Aproveitando o vazio de poder deixado, os revoltosos declararam uma república proletária de caráter socialista. Obviamente, a repressão posterior das tropas imperiais foi implacável, acabando com o movimento e deixando um grande número de mortos.

 

Críticas ao conceito de classes

Muitos pensadores criticam a ideia de lutas de classe, ou mesmo a existência de classes. Lwdvig Von Mises, por exemplo, questiona o conceito de classes definidas por fatores econômicos, acreditando que o fator político-ideológico é o fator determinante.

Para outros pensadores de viés mais conservador, o conceito de luta de classes serve apenas para dividir a sociedade entre dois grupos hostis e fomentar o ódio e a violência.

O fato é que a perspectiva de Marx sobre o conceito se popularizou de tal maneira que é praticamente impossível, nos dias de hoje, olhar para as sociedades e não as ver divididas em camadas mais ou menos organizadas.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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