Tipos de sujeito – Simples, Composto, Indeterminado, Oculto, Inexistente

Na oração, o sujeito é sempre aquele sobre o qual se enuncia alguma coisa. Ele é um dos termos essenciais da oração, embora existam orações em que o sujeito não está graficamente expresso, bem como orações em que o sujeito nem ao menos existe.

O sujeito pode ser expresso por pronomes pessoais, demonstrativos,relativos, indefinidos ou interrogativos, numerais, palavras ou expressões substantivadas ou por orações substantivas subjetivas.

Neste artigo do Gestão Educacional, trataremos dos tipos de sujeito existentes: simples, composto, oculto, indeterminado ou inexistente.

Sujeito simples

Quando o sujeito tem apenas um núcleo, ou seja, quando o verbo da oração se refere a apenas um pronome, um substantivo, um numeral etc., dizemos que o sujeito é simples. Confira alguns exemplos:

  • Maria decorou sua casa (Apenas um substantivo);
  • Ele desistiu do curso (Apenas um pronome pessoal);
  • Quem sabe a resposta? (Apenas um pronome interrogativo);
  • As pinturas de Leonardo da Vinci são maravilhosas (Apenas uma expressão substantivada);
  • O andar de Catarina era o mais lindo de todos (Apenas uma oração substantiva).

Perceba que, em todos os exemplos acima, o verbo está se referindo a apenas um sujeito, sendo todos eles, portanto, sujeitos simples. Isso inclui a expressão substantivada (expressão que, embora seja formada por termos de outras classes gramaticais, desempenha a função de substantivo) “as pinturas”: mesmo estando no plural, ocupa apenas um núcleo.

Para fins elucidativos, “oração substantiva” é toda oração que desempenha um papel de substantivo. No exemplo acima, “o andar de Catarina” é uma oração, mas está desempenhando o papel de um nome ao representar o sujeito da oração, estando o verbo e o predicado “era o mais lindo de todos” fazendo referência a ela.

Sujeito composto

Por outro lado, quando o sujeito tem dois ou mais núcleos, ou seja, quando o verbo da oração se refere a mais de um pronome, a mais de um substantivo, a mais de um numeral etc., dizemos que o sujeito é composto. Veja:

  • Maria e João decoraram a casa (Dois substantivos);
  • Ele e ela formam um belo casal (Dois pronomes pessoais);
  • Este e aquele são os móveis de que eu falei (Dois pronomes demonstrativos);
  • O quarto, a sala e o banheiro estão limpos (Três expressões substantivadas);
  • Viajar para a Itália e morar em Roma são tudo o que eu quero (Duas orações substantivas).

Em todos esses exemplos, os sujeitos são formados por dois ou mais núcleos. São, portanto, sujeitos compostos.

Sujeito determinado

Dizemos que um sujeito é determinado sempre que ele está materialmente expresso na oração. Todos os exemplos mencionados acima, tanto os simples, quanto os compostos, são sujeitos determinados.

Confira mais alguns exemplos de sujeitos determinados:

  • O livro está sobre a mesa;
  • A decoração de Natal está pronta;
  • Bernardo ajudou na mudança.

Todos os sujeitos nos exemplos acima estão graficamente e verbalmente expressos. Porém, nem sempre isso ocorre, como veremos adiante.

Sujeito oculto

Em alguns casos, o sujeito não está graficamente/verbalmente expresso, mas ainda assim podemos identificá-lo e determiná-lo. Nesse caso, dizemos que o sujeito está oculto. Veja um exemplo:

  • Gastei todo o dinheiro.

Embora o sujeito não esteja visível, conseguimos, analisando a desinência do verbo, determinar quem ele é. O verbo principal da oração é “gastei”, cuja desinência é -ei. Essa desinência indica a primeira pessoa do singular do pretérito perfeito. Determinando a primeira pessoa do singular, o sujeito só pode ser “eu”. Dizemos, portanto, que o sujeito está oculto.

Outra maneira de determinar o sujeito oculto é analisando a sua presença em outros orações do mesmo período. Confira:

  • O gato entrou pela janela. Chegou no corredor, deitou e acabou adormecendo.

Nesse exemplo, o sujeito de “entrou” é “o gato”. Além disso, ele também é sujeito dos verbos “chegou”, “deitou” e “acabou adormecendo”, embora não esteja expresso nas orações em questão. Conseguimos determinar isso analisando a oração anterior, em que ele está materialmente expresso.

Pelo fato de podermos determinar o sujeito oculto, embora ele não seja visível na oração, o sujeito oculto também é um sujeito determinado.

Sujeito indeterminado

Em alguns casos, não é possível determinar o sujeito. A razão de o sujeito estar indeterminado pode variar: pode acontecer tanto por não se referir a ninguém em específico, por se desconhecer quem é o responsável pela ação ou por simplesmente não importar quem ele é. O sujeito, nesses casos, é indeterminado.

Para se indeterminar o sujeito, faz-se uso da terceira pessoa do plural ou da terceira pessoa do singular com o pronome “se”. Confira alguns exemplos:

  • Falaram-me a respeito do acidente pela manhã (Não se sabe quem falou a respeito dele);
  • Estão gritando na rua (Não se sabe quem está gritando);
  • Aluga-se um quarto mobilhado (Não se sabe quem está alugando o quarto);
  • Doa-se lindos gatinhos (Não se sabe quem está doando os gatos).

Em todos esses exemplos, perceba que o sujeito não está determinado e nem se pode determinar quem ele é. Sabe-se apenas que o sujeito existe. O sujeito é, portanto, existente, mas se trata de um sujeito indeterminado.

Sujeito inexistente

Em alguns casos específicos, o sujeito não é nem determinado nem indeterminado: ele é inexistente. Isso ocorre com os chamados verbos impessoais, ou seja, verbos que não fazem referência a nenhuma pessoa. Confira alguns dos principais tipos de verbos impessoais:

  • Verbos que denotam fenômenos da natureza:
    • Choveu ontem à noite;
    • Chuviscou de tarde;
    • Provavelmente nevará no inverno;
    • Fez frio no fim de semana;
    • Amanheceu nublado.
  • Verbo “haver” significando “existir”:
    • rosas que nunca murcham;
    • Havia dois garotos te procurando mais cedo;
    • uma eterna pedra em meu caminho.
  • Verbos “haver” e “fazer” significando tempo decorrido:
    • Havia muitos anos que não a via;
    • Faz sete anos que não bebo.
  • Verbo “ser” indicando tempo:
    • Era por volta das duas da tarde quando o suspeito chegou;
    • Era tudo muito mais lindo na infância.

Uma vez que o verbo impessoal não faz referência a nenhum sujeito, ele não varia em número, já que o verbo deve sempre concordar com o sujeito, não ficando no plural.

Além disso, convém observar que sujeito indeterminado e inexistente não são a mesma coisa: o sujeito inexistente simplesmente não existe na oração; já o indeterminado existe, só não é possível identificá-lo.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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