Arte persa – O que é? Características, Formação e Principais Expressões

Arte persa é o nome que se dá às manifestações artísticas produzidas na região da Pérsia durante a existência especialmente de três grandes impérios: o Império Aquemênida, o Império Parta e o Império Sassânida.

Neste artigo do Gestão Educacional, você verá um pouco do contexto histórico, das influências e das principais características da arte produzida por cada um desses três grandes impérios persas.

Arte persa no Império Aquemênida

O Império Aquemênida, também chamado Primeiro Império Persa, foi fundado por Ciro, o Grande, rei da Pérsia. Dentre as conquistas de Ciro, estava a conquista da Mesopotâmia, cujo poder passou aos persas, marcando o fim do período babilônico e, consequentemente, o da arte mesopotâmica. A capital do Império Aquemênida era Persépolis, no que hoje é o Irã, cujo significado é literalmente “A cidade persa”. Ciro conquistou a Babilônia em 539 a.C.

A arte mesopotâmica teve grande influência sobre esse começo da arte persa. Os artistas e artesões do Império Aquemênida deram continuidade às tradições mesopotâmicas. Por exemplo, a arquitetura dos palácios em Persépolis, adornados com relevos entalhados, especialmente nos frisos (espaço na arquitetura que separa a cornija da arquitrave), tinha as mesmas características que as dos palácios assírios, um dos antigos povos da mesopotâmia. Destaque para o Grande Palácio de Persépolis, cuja riqueza de detalhes e ornamentos era lendária.

Os persas também incorporaram características de outras partes de seu vasto império, como dos medos, do Império Medo, e da tradição greco-asiática. Porém, eles não apenas reproduziram tais características: aprimoraram e expandiram essas tradições, criando uma arte única, facilmente identificável como persa.

Os artistas do império Aquemênida também se mostraram excepcionais no trabalho com metais, especialmente os preciosos. Um exemplo é o Copo ritual com forma de um leão sentado, todo feito de ouro. Grande parte das obras persas retratando animais o fazia de maneira fantástica, misturando formas reais com imaginárias. O leão do copo ritual, por exemplo, possui asas. Tais copos rituais recebiam o nome “rython” e constituíam uma categoria própria de peças artísticas.

O trabalho em metal fica ainda mais evidente no famoso Tesouro do Oxo, uma coleção de cerca de 180 peças trabalhadas em ouro e prata.

Além da arquitetura, do entalhe, da escultura e do trabalho com metais, os artistas do império Aquemênida também se destacavam pela alvenaria de tijolos esmaltados, pelo artesanato e pela jardinagem.

O Império Aquemênida foi conquistado por Alexandre, o Grande. O rei persa Dário III foi derrotado por Alexandre na batalha de Gaugamela, em 331 a.C., com Persépolis rendendo-se ao macedônio em 330 a.C. Alexandre, porém, não foi capaz de estabilizar a imensa região persa, que se dividiu em diversos reinos menores após a sua morte, em 323 a.C.

Arte persa no Império Parta (Ou Império Arsácida)

Após a morte de Alexandre, o Grande, e a divisão do Império Macedônico, um dos principais impérios a florescer na região persa foi o Império Parta, também chamado Império Arsácida, em 247 a.C.

A arte parta é dividida geralmente em três fases: uma primeira, combinando elementos da arte grega e da arte iraniana; uma segunda, buscando inspiração na arte aquemênida; e uma terceira, incorporando aspectos da cultura mesopotâmica após a conquista da mesopotâmia pelo Império Parta.

Uma característica marcante dos retratos partas é a frontalidade na representação das figuras, que passou a ser a maneira normal de se representá-las, mesmo em narrativas, mesmo em contextos que prejudicassem a distribuição delas na cena, de modo a comprometer sua legibilidade.

Já na arquitetura, uma marca bastante característica do império Parta era o “iwan”, uma sala retangular, geralmente com uma abóboda, com paredes em três lados e uma das extremidades aberta. Embora o iwan levasse para outro cômodo, ele, individualmente, já servia como um. Hoje em dia, acredita-se que os partos tenham sido os responsáveis pela invenção do iwan.

Por envolvimento em guerras e por uma instabilidade interna, o Império Parta foi derrotado em 224 d.C. pelo Império Sassânida, que tomou o poder da Pérsia.

Arte persa no Império Sassânida

O Império Sassânida durou mais de 400 anos. Após a queda do Império Parto e a derrotada do seu último rei, em 224 d.C., o Império Sassânida foi fundado por Artaxes I, tomando o poder da Pérsia, sendo o período sassânida considerado um dos mais importantes e influentes da história da Pérsia e do Irã antes da tomada dos muçulmanos.

A cultura sassânida teve uma forte influência sobre outras civilizações, influenciando a arte da Ásia Central e da China, do Império Bizantino e de países da Europa.

Embora pouco tenha sobrevivido da pintura sassânida, sabe-se, pela literatura sobrevivente, que ela floresceu durante essa era. As pinturas iam de retratos de heróis, que ornamentavam paredes, a afrescos nas próprias paredes, geralmente nas casas e nos palácios dos mais abastados, incluindo também iluminuras em livros.

Na arquitetura, os sassânidas também fizeram uso do iwan em suas construções, mas com uma função diferente: ele servia muito mais como um cômodo levando a outro, muito mais ornamentado e detalhado.

Os sassânidas também se destacaram na metalurgia, principalmente com a confecção de vasos feitos de materiais preciosos, como a prata, sendo eles bastante decorados, especialmente com animais, cenas de caça e figuras humanas, além de pratos de ouro e de prata. Também tiveram bastante expressão na produção de relevos em pedra e em calcário, geralmente retratando os feitos militares do Império Sassânida.

Além disso, os artistas sassânidas eram também conhecidos pela criação de mosaicos, pela confecção de tapetes e pela tecelagem de seda, sendo esta alimentada pelo comércio da Rota da Seda, bastante ativo na época graças à era de ouro chinesa durante a Dinastia Han.

O Império Sassânida enfraqueceu-se especialmente pelas guerras contra o Império Bizantino. Ele foi conquistado pelos muçulmanos em 644 d.C., com o último imperador sassânida, Yazdgard III, morrendo em 651 d.C. O islamismo tornou-se gradativamente a religião e a cultura da população da antiga pérsia, marcando o fim da arte persa e o início da arte islâmica.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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