Decadentismo – O que é? Quando surgiu? O que defendia? Características

O decadentismo foi um estilo artístico europeu que surgiu e se desenvolveu especialmente na segunda metade do século XIX. Surgido inicialmente como um termo pejorativo, os decadentistas logo adotaram o termo para si.

Surgido inicialmente na França e marcado por uma profunda negação da realidade em detrimento ao universo interior do artista, o movimento logo se expandiu para o restante da Europa e para as Américas.

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Decadentismo: o que é e quando surgiu?

O decadentismo foi um estilo artístico europeu que atingiu seu ápice no final do século XIX, tendo relação com o chamado Movimento Decadentista, ocorrido na França e na Inglaterra, cujos integrantes possuíam uma visão acentuadamente pessimista e subjetiva do mundo e um enfoque no universo interior do artista e no mistério da existência.

O termo nasceu de forma pejorativa e carregou por anos esse sentido. Trata-se de uma junção da palavra decante, que significa “que está em decadência”, ou seja, que está num “estado do que decai e se encaminha rapidamente para o fim” (HOUAISS, 2015 p. 284), com o sufixo -ismo. Os decadentistas eram aqueles que, segundo a crítica, expressavam a perda da consciência e a crise de valores daquele tempo. Entretanto, os próprios artistas decadentistas acabaram por adotar o nome.

Os principais expoentes do decadentismo foram os poetas e escritores do Simbolismo, como os franceses Mallarmé, Verlaine, Laforgue e Corbière. Um verso de Verlaine, inclusive, retrata bem o tratamento deles com a ideia de decadência ao enunciar “Je suis l’empire à la fin de la décadence” (“Eu sou o império ao fim da decadência”, em tradução livre).

Alguns expoentes já considerados decadentistas foram Joris Karl Huysmans, Gabriele D’Annunzio e Oscar Wilde.

É difícil, porém, delimitar quando o decadentismo surgiu e quando deixou de existir. Sabe-se que surgiu na França, em meados do século XIX, atingindo seu ápice no final deste mesmo século, entre 1880 e 1890, embora tenha se prolongado em Portugal até 1920 e no Brasil possivelmente até um pouco mais.

O que defendia o decadentismo? Características

Os artistas decadentistas buscavam novas maneiras de expressão e rejeitavam a cultura positivista (o que reforçava o fato de serem considerados “decadentistas”), sendo eles uma das forças que motivariam posteriormente o surgimento das Vanguardas pela multiplicidade de estilos, experimentação e ruptura radical com o passado.

No decadentismo, o artista possui independência e autonomia criativa e novas técnicas expressivas foram desenvolvidas, como o fim da obrigação do uso lógico da palavra, da sintaxe e da pontuação na literatura e na poesia. Essa revolução na linguagem tem justamente o intuito de livrar a literatura e a poesia de influências anteriores.

O objetivo principal era o de livrar a arte e a literatura das amarras materialistas da sociedade industrializada e da moral e dos costumes da burguesia da época, numa espécie de desdém da cultura massiva e burguesa. O poeta busca liberdade, inclusive de caráter.

Além disso, como comentado, há um mergulho no interior do inconsciente, atingido por meio das palavras e dos símbolos, que evocam sentimentos, humores e ideias, frequentemente pelo uso da sinestesia.

Um bom exemplo de obra decadentista é o romance À Rebours (1884), de Joris-Karl Huysmans, que narra a vida de Jean Floressas des Esseintes, o qual abandona tudo e se tranca numa casa de campo com o intuito de trocar a “realidade” pelo “sonho da realidade”. Isso porque, no decadentismo, há justamente a investigação do mistério que está oculto na realidade. O poeta, nesse caso, é uma espécie de vidente, que se volta para o mundo interior e o manifesta no poema.

Dentre os temas tratados no decadentismo, são recorrentes a perversão, a crueldade, a neurose, a doença e a morte.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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