Duchamp – Quem foi? Biografia e Principais Obras

Marcel Duchamp foi um dos mais proeminentes e inovadores artistas do começo do século XX. Destacando-se na pintura, na escultura, nas colagens, etc., é considerado um dos mais inventivos e irreverentes artistas.

Associado com diversos movimentos, como o Cubismo, o Futurismo, Dadaísmo e a arte conceitual, Duchamp escreveu seu nome na história da arte, em uma carreira meteórica, antes de abandonar o meio artístico para se tornar um enxadrista.

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Duchamp

Primeiros anos de Duchamp

Henri-Robert-Marcel Duchamp nasceu em 28 de julho de 1887, em Blainville-Crevon, Normandia, França. Seus pais foram Eugene Duchamp, um tabelião, e Lucie Duchamp. Ele foi o quarto filho dos sete que o casal teve.

Apesar de o pai não ter relação com a arte, a arte estava na família de Duchamp. Sua mãe, Lucie, era artista amadora e seu avô materno fazia gravuras e pinturas. Dois de seus irmãos mais velhos viraram artistas: o pintor Jacques Villon (1874-1963) e o escultor Raymond Duchamp-Villon (1876-1918).

Crescendo nesse ambiente, Marcel Duchamp logo desenvolveu aptidão artística e foi incentivado, Duchampinclusive por seu pai, Eugene. Também desenvolveu interesse pela música, pela leitura e pelo xadrez, uma de suas paixões.

Aos oito anos de idade, seguiu os passos de seus irmãos e mudou-se para Rouen, passando a estudar na escola secundária Lycée Pierre-Corneille. Seguiu os próximos oito anos de sua vida tendo uma educação formal, recebendo algumas aulas à parte com um professor que incentivava seus alunos a desenvolverem projetos com as principais vanguardas da época, o Impressionismo e o pós-impressionismo.

Chegou a ganhar prêmios de matemática e ilustração nessa época.

O jovem e proeminente artista

Em 1904, aos 17 anos, Marcel mudou-se para Paris, sendo acolhido por seus irmãos, já artistas estabelecidos. Desenvolveu algumas obras que já indicavam um certo domínio de técnicas e estilos, como Portrait of Marcel Lefrançois (1904).

Entre 1904 e 1905, estudou arte na Académie Julian, mas frequentava muito pouco as aulas. Ainda em 1905, trabalhou para um tipógrafo, com o qual aprendeu um pouco sobre tipografia e impressão, técnicas que posteriormente lhe seriam úteis.

Para sobreviver, Duchamp desenhava cartoons para revistas em quadrinhos. Nessa época, teve contato com uma série de estilos diferentes, tais como o pós-impressionismo, o fauvismo e, por volta de 1911, o cubismo.

ruota di bicicletta

Bycicle Wheel (1913).

Duchamp, inclusive, desenvolveu uma técnica de repetição de imagens que dava às obras cubistas um efeito de movimento, como é possível observar em Nude (Study), Sad Young Man on a Train (1911-12) e a sua famosa Nude Descending a Staircase, No. 2 (1912), que mescla elementos do cubismo e do futurismo.

Duchamp considerava o cubismo demasiadamente sistemático, estático e entediante, e o acréscimo desse efeito de movimento pode ter sido uma tentativa de quebrar essas características.

Nude Descending a Staircase, No. 2 foi exibida pela primeira vez nas Galeries Dalmau, na Exposição de Arte Cubista, em Barcelona, em 1912, e posteriormente na Exibição Internacional de Arte Moderna, em 1913, em Nova Iorque, chocando os visitantes americanos, acostumados com as artes mais realistas, especialmente pela representação da nudez.

Duchamp na América, Ready-made e Dadaísmo

Em 1912, Marcel começa a fazer planos para aquela que seria uma de suas principais obras: The Bride Stripped Bare by Her Bachelors, Even, também conhecida como The Large Glass.

Em 1913, abandona temporariamente as pinturas e começa a trabalhar de bibliotecário na Biblioteca Sainte-Geneviève, concentrando-se em estudar e trabalhando no seu projeto The Large Glass.

Nessa mesma época, começa suas primeiras obras com a estratégia ready-made, uma forma bastante radical de se produzir arte, quebrando com o modelo tradicional. O método consiste no uso de objetos industrializados como objetos artísticos, por exemplo, mictórios, pás, rodas de bicicleta, etc., deixando de lado conceitos como estilo e criação, focando mais na ideia por trás da obra.

Duchamp

É de 1913, inclusive, sua obra Bycicle Wheel, composta apenas por uma roda de bicicleta.

Em 1915, com o dinheiro que ganhou vendendo as obras expostas, Duchamp se muda para Nova Iorque, onde é recebido com bastante fervor. Lá, consegue o apoio e o financiamento de uma série de artistas.

Em 1917, desenvolve uma de suas obras mais emblemáticas, por meio da estratégia ready-made: Fountain, um urinol de porcelana. A obra foi enviada para a Sociedade de Aristas Independentes, em 1917, mas foi rejeitada, pois o júri não considerou a peça como obra de arte.

Em 1919, produz a sua famosa L.H.O.O.Q, uma paródia da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, obra à qual Duchamp simplesmente acrescentou bigodes.

Fountain

Fountain (1917).

Essas e outras obras de Duchamp marcam o seu envolvimento com o movimento artístico Dadaísta, caracterizado, dentre outras razões, pela arte como protesto contra a arte histórica, burguesa e conceitual, fazendo uso de objetos do cotidiano e pregando ideias como o caos, a desordem e o acaso.

Em 1920, funda, com Katherine Dreier e Man Ray, dois artistas que o ajudaram na América, a Société Anonyme, um grupo destinado a colecionar artes modernistas e desenvolver exposições.

Rrose Sélavy, The large glass e envolvimento com o xadrez

L.H.O.O.Q

L.H.O.O.Q (1919).

Em 1921, Duchamp realiza um ensaio fotográfico vestido de mulher, nomeando-se Rrose Sélavy. O nome pode ser lido em francês tanto como “Eros, c’est l’a vie” (“Eros, é a vida”) quanto “arroser la vie” (algo como “para brindar à vida”). Duchamp assinaria uma série de obras e exposições com essa persona.

Em 1923, o artista abandona o projeto The Large Glass. A obra, uma das mais enigmáticas do artista, consiste em duas lâminas de vidro sobrepostas com uma figura abstrata sobre elas.

Com o tempo, passa a se interessar cada vez menos pela arte. Dedica-se ao cinema e, especialmente, ao xadrez, uma de suas paixões.

Última obra e morte

Entre 1946 e 1951, Duchamp tem uma relação amorosa com a escultura brasileira Maria Martins.

Nessa mesma época, inicia sua última grande obra, Étant donnés (Dado), uma estrutura complexa revelada apenas por buracos em uma porta de madeira. É possível visualizar parte do corpo de uma mulher nua, deitada, de pernas abertas, segurando uma lamparina.

A obra foi produzida secretamente, em seu estúdio, e revelada ao público apenas após sua morte. A moça nua retratada é a escultora brasileira Maria Martins, com quem Duchamp teve uma relação.

Em 1954, Duchamp se casa com Alexina “Teeny” Sattler, com quem fica até o resto de sua vida.

Marcel Duchamp morreu em 2 de outubro de 1968, em sua casa, em Neuilly-sur-Seine, França, de uma parada cardíaca.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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