Lei dos Três Estados – Quais são? Definição e Exemplos

A transição entre os séculos XVIII e XIX foi um período turbulento, marcado por profundas mudanças na estrutura social europeia. Muitos pensadores se debruçaram para estudar e entender essas mudanças, tendo como resultado o surgimento de diversas correntes de pensamento. Um dos grandes pensadores dessa época foi Auguste Comte, que formulou a Lei dos Três Estados.

Lei dos três estados

O que é a Lei dos Três Estados?

É uma teoria formulada pelo filósofo francês Auguste Comte, também conhecido como o fundador do Positivismo. Segundo Comte, todas as sociedades passam por um processo de evolução que abrange, necessariamente, três estágios distintos, aos quais ele chamou de Teológico, Metafísico e Positivo.

Para que o homem possa compreender esses processos, é necessário observar e estudar esses estágios de forma criteriosa.

Origem da Lei dos Três Estados

As ideias de Comte surgem em um momento de grande agitação e transformação social, com o abalo das monarquias absolutistas após a Revolução Francesa, e com o surgimento de fortes desigualdades sociais, resultado do crescimento do capitalismo, impulsionado pela Revolução Industrial.

Esse é um momento em que se buscam novos modelos de sociedade, que possam transformá-la em algo mais justo e igualitário.

Auguste Comte foi discípulo do Conde Saint-Simon, um dos fundadores do Socialismo Utópico, sendo por ele muito influenciado, embora tenha discordado de parte de suas ideias posteriormente.

Outro pensador que influenciou o pensamento de Comte foi o também filósofo francês Condorcet. A partir da concepção de progresso da humanidade, elaborada por Condorcet, Comte formulou a sua Lei dos Três Estados.

Auguste Comte

Quais são os três estados?

Estado teológico

Nesse estado, as sociedades ainda se encontram sob forte influência do mundo sobrenatural, buscando nas divindades a explicação para todos os fenômenos percebidos no mundo à sua volta.

Nesse estado, as sociedades ainda não valorizam o pensamento racional, e os mitos e a religião ocupam posição central.

O Estado Teológico foi dividido por Comte em:

  • Fetichismo ou Animismo: este estado tem como característica dar aos objetos concretos da natureza vida e vontade própria. Exemplos: sociedades tribais africanas e indígenas;
  • Politeísmo: nesse estado o controle de todas as coisas está nas mãos de vários deuses. Exemplo: deuses da Grécia e Roma Antigas;
  • Monoteísmo: nesse estado o controle de todas as coisas passa a estar nas mãos de um único deus. Exemplos: Judaísmo e Cristianismo.

Estado metafísico

No Estado metafísico, as sociedades passam por um momento de transição, com o gradual abandono dos dogmas divinos como razão única para entender o mundo. Aos poucos, surgem as primeiras reflexões sobre os fenômenos da natureza, ainda que de maneira abstrata e sem qualquer tipo de comprovação prática.

Estado positivo

Nesse estado, o homem deixa de lado as causas metafísicas, passando a buscar explicações lógicas e racionais para todos os fenômenos da natureza. A principal característica do estado positivo é a existência de uma ciência que busca investigar e estudar as leis naturais, explicando os fenômenos de maneira racional.

Positivismo religioso

Positivismo

Para Comte, o Estado Positivo era o último estágio da civilização, caracterizado por ser real, útil, certo, relativo, orgânico, preciso e simpático. A Europa teria atingido esse estado graças à modernização urbano-industrial alcançada no século XIX, que implicava uma compreensão e transformação da natureza, até então, nunca alcançada.

Por outro lado, Comte constatou que a sociedade industrial contemporânea passava por transformações profundas nos costumes, de modo que o senso moral e ético se perdia em nome do lucro e da acumulação de riquezas.

Essa questão moral levaria Comte, no final de sua vida, a dedicar-se à criação de uma “religião da humanidade”, um tipo de doutrina desprovida do caráter dogmático das religiões tradicionais, tendo como principais valores a razão e o caráter moral elevado.

Essa “religião da humanidade”, também chamada de Positivismo Religioso, embora fosse marcada pelo cientificismo, foi alvo de muitas críticas, levando grande parte dos intelectuais a se distanciar de Comte.

O legado de Comte

Apesar da grande influência de sua obra para muitos pensadores, a filosofia de Comte foi muito criticada no passado. Ainda assim, não se pode negar o seu papel no desenvolvimento da Sociologia como uma ciência.

Tanto o Positivismo quanto a Lei dos Três Estados contribuíram para o entendimento das sociedades e seu desenvolvimento, embora Comte tivesse, no centro de seu pensamento, a sociedade europeia como exemplo principal.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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