Materialismo histórico – O que é? Origem, Fundamentos e Críticas

A segunda metade do século XIX foi marcada por grandes mudanças provocadas pelo crescente processo de industrialização vivenciado pelas potências europeias. Essas mudanças aprofundaram as desigualdades entre as classes sociais, aumentando a distância entre a burguesia e o proletariado.

Karl Marx e Friedrich Engels, filósofos e pensadores alemães, se debruçaram sobre essas questões, buscando respostas e caminhos que pudessem levar a uma sociedade mais justa. Para isso, desenvolveram em conjunto uma série de conceitos, teorias e métodos, visando compreender a sociedade da época e suas transformações. Esse conjunto de ideias é chamado de Marxismo, e dentro dele encontramos o Materialismo Histórico.

O que é materialismo histórico?

Materialismo Histórico é um método de ação e compreensão sobre a realidade que enxerga a existência dos seres humanos dentro de um contexto histórico e de acordo com as relações materiais da sociedade humana. Em outras palavras, esse método busca nos meios pelos quais os seres humanos produzem coletivamente suas necessidades de vida as causas de desenvolvimentos e mudanças na sociedade humana.

Contexto

Marx e Engels se conheceram em 1842. Embora o contato inicial entre eles não tenha sido dos melhores, com o tempo, a amizade entre os dois cresceu e, não só isso, descobriram que tinham em comum a mesma visão do objetivo da história e dos meios para sua realização, e que seus trabalhos até ali eram complementares. A partir daí, passaram a trabalhar em parceria, escrevendo juntos várias obras.

A criação do materialismo histórico, assim como todas as outras teorias desenvolvidas por eles, parte da necessidade de entender as profundas mudanças sociais, marcadas, sobretudo, pelo desenvolvimento do sistema capitalista, impulsionado pela Revolução Industrial e pelas desigualdades geradas por esse sistema.

Fundamentos do materialismo histórico

Embora inicialmente influenciado por Hegel, ao propor uma história pautada no materialismo, Marx rompe de vez com o idealismo hegeliano.

A economia é o ponto central de estudo desse método, pois é ela que determina toda a sociedade. Segundo Engels, o materialismo histórico parte da ideia de que a produção e a troca dos produtos são a base de toda a ordem social. Marx acreditava que a história era marcada pela constante relação entre criação e satisfação das necessidades humanas e dos conflitos dela decorrentes, ou seja, a evolução das sociedades, desde as mais remotas até a atual, se dá pelos confrontos entre diferentes classes sociais, decorrentes da ideia de “exploração do homem pelo homem”.

O materialismo histórico tem como principal fundamento a análise da realidade, partindo da teoria da infraestrutura (a grosso modo, as relações de produção e de trabalho) e superestrutura (tudo que está em volta da infraestrutura, ou seja, cultura, religião, economia, etc.) que circundam um determinado modo de produção. Em outras palavras, a história está conectada ao mundo material, organizado por todos aqueles que compõem a sociedade.

Segundo Marx, a substituição de um modo de produção por outro ocorre devido ao desgaste deste e de suas forças produtivas. Marx cita como exemplo o Feudalismo, afetado pelo desenvolvimento do comércio e pela deterioração das relações servis, que provocou uma implosão dentro do sistema, originando outro novo sistema: o Capitalismo. Assim como os pequenos burgueses derrubaram a ordem estabelecida no período feudal, a luta de classes entre proletários e burgueses também poderia desestabilizar a ordem naquele momento.

Diferença entre materialismo histórico e materialismo dialético

Enquanto o materialismo histórico é um método de compreensão da sociedade que parte da ação dos indivíduos dentro de um determinado contexto histórico, o materialismo dialético é um conceito filosófico que propõem uma maneira de compreender a realidade considerando ideias, pensamentos, emoções e o mundo material. Este é a base do entendimento dos processos sociais que acontecem ao longo da história.

Umberto Oliveira

Bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

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