Numerais Cardinais – O que são? Para que servem? Flexões e Exemplos

Os numerais cardinais são um dos tipos de cardinais existentes no português. Eles são representados pelos números básicos, ou seja, por seus nomes, e podem ser empregados tanto como substantivos, quanto como adjetivos.

Caso queira rever o que são numerais, de maneira geral, confira este outro artigo do Gestão Educacional antes de se aprofundar nos numerais cardinais.

O que são numerais cardinais?

Os numerais cardinais são um dos vários tipos de numerais existentes na língua portuguesa. Pode-se dizer que eles são os números básicos, ou seja, um, dois, três, dez, cem, mil etc.

Os numerais cardinais opõem-se aos:

  1. Numerais cardinais, que indicam uma ordem de sucessão de seres/coisas em uma sequência (ex: primeiro, segundo, terceiro, décimo, centésimo, milésimo etc.);
  2. Numerais multiplicativos, que indicam um aumento proporcional no número de seres/coisas (ex: dobro, triplo, quádruplo, décuplo, cêntuplo etc.);
  3. Numerais fracionários, que indicam uma diminuição proporcional no número de seres/coisas (ex: metade, meio, um quarto, três quartos, um vinte avos, um centésimo, três milésimo etc.)

Como veremos adiante, são várias as funções e empregabilidades dos numerais cardinais, e há uma série de detalhes quanto às suas flexões.

Para que servem os numerais cardinais?

São duas as funções básicas dos numerais cardinais. Eles servem para:

  1. Indicar a quantidade, em si mesma, servindo como o “nome dos números”. Nesse caso, exercem a função de substantivos.
    • Dois é maior que um.
    • “Como dois e dois são quatro
      Sei que a vida vale a pena
      Embora o pão seja caro
      E a liberdade pequena” (Ferreira Gullar)
  2. Indicar uma quantidade de seres/objetos. Nesse caso, desempenham a função de um adjetivo, modificando/determinando o sentido de algum substantivo.
    • Daqui até minha casa são apenas cem passos.
    • Duas grandezas neste instante cruzam-se!
      Duas realezas hoje aqui se abraçam!”  (Castro Alves)

Flexão dos numerais cardinais

Um numeral é variável a partir do momento em que sofre flexão de gênero (feminino ou masculino) ou de número (singular ou plural). Com exceção dos numerais mencionados abaixo, todos os outros numerais cardinais são invariáveis, ou seja, não sofrem flexão de gênero nem de número.

Variação em gênero

Variam em gênero, ou seja, flexionando-se em masculino e feminino, os seguintes cardinais:

  • Um (uma);
  • Dois (duas);
  • Todas as centenas a partir de duzentos: duzentos à duzentas; trezentos à trezentas etc;
  • O termo “ambos”, que substitui o cardinal “os dois” (Rocha Lima, 1996, o chama de “Numeral dual”): ambos à amba

Variação em número

Variam em número, ou seja, flexionando-se em singular e plural, os seguintes cardinais:

  • Numerais cardinais do tipo: milhão, bilhão, trilhão etc.: um milhão à dois milhões; um bilhão à dois bilhões.

Numerais invariáveis

Todos os demais numerais, que não os mencionados acima, são invariáveis, ou seja, não sofrem flexões de gênero nem de número.

Por exemplo:

  • Quatro casas foram assaltadas (Sendo “casas” um substantivo feminino);
  • Quatro carros foram roubados (Sendo “carros” um substantivo masculino).

Diferença entre “um” numeral e “um” artigo

Uma dúvida bastante comum é a seguinte: há alguma diferença entre o “um” artigo e o “um” numeral? Ou ambos dizem respeito a uma mesma classe gramatical?

A resposta é: há, sim, uma diferença entre eles.

Enquanto artigo, “um” é o que se chama de artigo indefinido. Como todo artigo, a função dele é a de se antepor a um substantivo, indicando se este é definido (já conhecido pelos interlocutores) ou indefinido (não conhecido pelos interlocutores, ou seja, um simples representante de um conjunto).

Sendo um artigo, ele varia não só em gênero, mas também em número. Por exemplo:

  • Um garoto está chorando;
  • Umas garotas estão chorando.

Já o “um” numeral, por ser justamente um numeral, é usado para se indicar a quantidade exata de seres ou objetos, nesse caso, a de apenas um(a). Por isso, é sempre empregado no singular, não aceitando a forma “uns”, embora também varie em gênero, aceitando a forma “uma”.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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