Quilombo dos Palmares e o Zumbi – O que foi? Localização e História

O Quilombo dos Palmares foi um dos muitos refúgios de escravos existentes no Brasil, sendo conhecido por ter abrigado a maior liderança de negros e índios libertos do país e tornado-se o maior quilombo da nação, refugiando mais de 20 mil quilombolas.

Mas, por que o Quilombo dos Palmares é tão grande? Bom, é que entre as décadas de 1630 e 1650, os donos dos engenhos de açúcar no norte do Brasil diminuíram a segurança dos terrenos, pois precisavam lutar contra a invasão holandesa (saiba o porquê da invasão no texto sobre o Brasil holandês). Para os negros escravizados, esta foi a oportunidade perfeita para fugir e tentar viver em liberdade, sendo que, para não serem pegos, uniam-se em comunidades chamadas quilombos – o dos Palmares era o mais acessível para quem fugia das fazendas do nordeste.

Com tanta gente reunida no mesmo local, já era de se esperar que o Quilombo dos Palmares criasse uma liderança – e foi justamente isso o que aconteceu. Essa comunidade de negros e índios refugiados começou a planejar formas de dar um fim na escravidão, começando com o resgate de familiares e companheiros que ainda trabalhavam como escravos nas fazendas.

quilombo dos palmares como viviam

Não demorou para que o quilombo chamasse a atenção dos escravocratas, afinal, os escravos representavam a maior parte da mão de obra das fazendas e, sem eles, os donos das terras teriam grandes prejuízos comerciais. Dessa forma, os donos de engenho organizaram-se em expedições para derrotar a comunidade e retomar a propriedade dos negros e índios refugiados.

É aqui que vem o plot twist dessa trama. Ao contrário do óbvio, os índios e negros venceram mais de trinta tentativas de invasão, somente utilizando a força popular e pouquíssimas armas, permanecendo invictos por oitenta anos. Definitivamente, esta foi uma prova de que o poder de uma ideia pode ser mais forte do que o poder de uma bala. No entanto, como toda história tem sempre um “mas”, o Quilombo dos Palmares não acabou com um final feliz.

zumbi dos palmares

Gosta de HQ’s? Confira a história do Zumbi dos palmares retratados em quadrinhos no livro de Marcelo D’Salete.

Zumbi dos palmares e o fim do quilombo

zumbi dos palmaresOs quilombos tinham líderes que serviam para gerenciar as terras e a comunidade como um todo. Até a década de 1670, quem liderou a comunidade dos Palmares foi Ganza Zumba, o qual tinha forte carisma. No entanto, a sua imagem ficou manchada ao fazer um acordo com o governador de Pernambuco, Aires Souza Castro, em 1978, decretando a liberdade de todos os quilombolas nascidos em Palmares, bem como o pertencimento legal das terras onde moravam, na região norte do Alagoas.

Apesar de parecer um acordo favorável, a negociação não agradou a todos. Muitos palmarinos não aceitaram a ideia de negociar com os mesmos homens que os escravizaram. Então, os discordantes aliaram-se e nomearam Zumbi dos Palmares como o novo líder, tornando a comunidade dividida.

O que nenhum dos lados sabia é que a coroa portuguesa já estava se organizando para invadir o quilombo, só não tinha intervindo ainda porque procurava pela pessoa certa para derrotar a comunidade quilombola. Em 1964, surgiu o nome perfeito para esta função assassina: o bandeirante Domingos Jorge Velho, um guerreiro experiente na escravização de indígenas, que conhecia muito bem a região de Pernambuco.  Já falamos, aqui, sobre quem foram os bandeirantes.

Logo na primeira invasão, o Quilombo dos Palmares foi quase completamente destruído. Impedido de continuar a luta, Zumbi deixou o território junto de poucos sobreviventes, na esperança de tentar reconstruir a comunidade quilombola em outra região mais afastada – o que não foi muito longe. No ano seguinte, no dia 20 de novembro, o líder foi surpreendido por Domingos em uma emboscada e acabou sendo degolado e exposto em praça pública, em Recife, para servir de exemplo a outros negros e índios que pudessem querer se revoltar contra a escravidão.

O dia da morte de Zumbi é lembrado todos os anos até hoje como o dia da consciência negra, comemorado pelos movimentos de resistência que sofrem até hoje com o racismo herdado do regime escravagista brasileiro. Saiba mais sobre quem foi este líder quilombola no texto completo sobre Zumbi dos Palmares.

A música da artista Clara Nunes, lago abaixo, retrata um pouco desta história em forma de poesia:

Localização

O quilombo dos Palmares partia da Serra da Barriga, no estado de Alagoas e fazia divisa com Pernambuco. A região era conhecida pela vasta quantidade de Palmeiras – daí o nome do quilombo.

Como a comunidade tinha vasta extensão, foi dividida em várias pequenas comunidades, sendo as mais conhecidas Macaca, Zumbi e Subupira.

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Como viviam os quilombolas?

Os povos quilombolas não eram nada ultrapassados para a sua época. Os negros e índios utilizam em seu território todo o conhecimento que aprenderam quando escravos, por isso, a terra que ocupavam era muito rica em vários gêneros agrícolas – inclusive, os excedentes da produção eram comercializados em povoados locais, o que possibilitava que a comunidade lucrasse e conquistasse bens, como cerâmica, tecidos e comida diferenciada.

Comunidades quilombolas remanescentes ainda não foram regularizadas

Ainda hoje é possível visitar quilombos remanescentes no Brasil. Apesar de conterem uma cultura muito diferenciada da época, ainda são locais que ensinam muito sobre a história da resistência negra. Para se ter uma ideia, a Fundação Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, mapeou 2.471 comunidades quilombolas existentes nos dias de hoje no país, as quais ocupam 1.033.426,8975 de hectares.

Apesar da quantidade considerável, somente 190 delas são regularizadas pelo Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Inca), o que representa mais de 15 mil famílias quilombolas das mais de 40 mil existentes.

Interessou-se pelo assunto? Então, confira o material desenvolvido pela Comissão Pró-índio de São Paulo, que contém as informações mais ricas sobre como viveram e como ainda vivem as comunidades indígenas brasileiras. Basta acessar o link: http://www.cpisp.org.br

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Rafaela Cortes

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

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