Serpentes – Características físicas, Comportamento, Habitat, Alimentação e Reprodução

Serpentes e cobras são nomes comuns que costumam ser usados para se referir aos mesmos animais. Ambas são palavras originadas do latim, mas, enquanto “serpente” vem da palavra serpere, que significa rastejar ou deslizar, “cobra” vem da palavra coluber. No Brasil, a palavra serpente representa uma subordem da classe dos répteis.

As pessoas costumam ter muito medo em relação às serpentes por acreditarem que todas são inoculadoras de venenos. No entanto, não são todas as espécies que são agressivas e causam danos aos seres humanos. Apesar de algumas características poderem ser utilizadas para identificação de serpentes venenosas, como a dentição, isso não é garantido. Portanto, a atitude correta a se tomar é se afastar quando esbarrar com uma delas para evitar acidentes ofídicos que podem levar à morte. Se não atiçada, as serpentes costumam ir embora sem atacar seres humanos.

Confira, a seguir, mais detalhes sobre esses animais.

Características físicas das serpentes

As serpentes possuem o corpo alongado e coberto por escamas que variam em coloração. Dependendo da espécie, podem apresentar cores lisas ou padronagens com mistura de cores.

A cabeça pode apresentar formato afunilado ou triangular. Não possuem orelhas (a estrutura externa), o focinho é caracterizado por dois pequenos buracos na ponta da cabeça e a língua é dividida em dois.

Comportamento

Podem ser diurnas ou noturnas e são animais solitários. A atividade das serpentes está diretamente relacionada ao calor, por serem ectotérmicas. Ou seja, são animais que dependem do sol para aquecer seu corpo e de sombra para refrescar.

Durante épocas mais frias, seu metabolismo é mais lento e, portanto, é mais difícil visualizar esses animais. Além disso, durante o verão, elas saem em busca de parceiros para acasalar e de locais para a desova.

Quando irritadas, algumas espécies podem se tornar bastante agressivas, como a coral-verdadeira.

Habitat

As serpentes podem ser arborícolas ou terrícolas. Gostam de se abrigar sob pedras, troncos, tocas de árvores ou no chão. Em geral, são encontradas principalmente em regiões mais quentes, como florestas tropicais e regiões desérticas. Como são animais de sangue frio, dependem da luz solar para se aquecer e fazer seu metabolismo funcionar.

Alimentação

As serpentes são animais carnívoros, consumidoras de pequenos mamíferos, como roedores, lagartos, anfíbios e anuros. Em menor proporção, podem consumir marsupiais, morcegos, cobras-cegas, e outros invertebrados.

Esses animais costumam caçar utilizando a tática de senta-e-espera, quando ficam parados e escondidos esperando o momento ideal para dar o bote, com a mínima chance da presa fugir.

Reprodução

As serpentes possuem os sexos separados. Os machos têm uma estrutura na ponta da cauda denominada hemipênis. Durante a cópula, esse órgão se infla com sangue e é introduzido na cloaca da fêmea.

A maior parte das espécies é ovípara, ou seja, coloca ovos. Entretanto, algumas são vivíparas, dando à luz a filhotes já desenvolvidos, como é o caso da jararaca-do-rabo-branco, que pode dar à luz a 40 filhotes de uma única vez.

Curiosidades

Acidentes ofídicos

A maior parte dos casos de acidentes com serpentes é provocada pelos gêneros Bothrops, representado pela jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, e Crotalus, representado pela cascavel. As espécies mais envolvidas nos acidentes são Bothrops jararaca e Crotalus durissus terrificus.

No caso de problemas com o gênero Bothrops (ou acidente botrópico), pode ocorrer um edema na região atingida, que é caracteristicamente tenso (firme) e doloroso. Em geral, o edema apresenta tonalidade violeta, em função do sangramento interno. Esse quadro pode acometer a porção extensa do membro. Vinte e quatro horas após a mordida podem surgir bolhas com pus, características hemorrágicas ou ainda necróticas.

Em casos graves, pode ocorrer ao menos uma das complicações:

  • Hemorragia intensa e/ou hemorragia em órgãos vitais;
  • Choque;
  • Insuficiência renal aguda.

Apesar de serem consideradas não-peçonhentas, acidentes causados por serpentes das famílias Colubridae e Boidae podem causar sérios danos ao ser humano, pois são capazes de inocular toxinas.

Quanto maior o tempo entre o acidente e o atendimento do paciente, maior a letalidade do envenenamento, que pode ser de até oito vezes maior. A prevalência de sequelas está relacionada a complicações e a fatores de risco, como o uso de torniquete, picada em extremidades (como nos dedos de mãos e pés) e demora na administração do soro antiofídico.

Bruna Manuele Campos

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela USP (2016 e 2018), tem 25 anos e é apaixonada pela natureza e por explorar o mundo. Quando não está se aventurando por aí, gosta de aquietar as pernas com livros e séries.

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