Uso do que – Como usar? Para que serve? Funções e Exemplos

O termo “que” possui diversos significados e pode ser utilizado em diversos contextos, desempenhando funções variadas. Confira, a seguir, tudo em relação ao uso do que, só aqui, no Gestão Educacional!

Como usar o “que”?

O “que” é uma palavra bastante versátil, podendo ser utilizada com diferentes significados. Ela pode desempenhar as seguintes funções na língua portuguesa:

  • Substantivo;
  • Pronome (interrogativo, exclamativo, relativo e indefinido);
  • Preposição;
  • Advérbio de intensidade;
  • Partícula expletiva;
  • Interjeição;
  • Conjunção coordenativa explicativa;
  • Conjunção subordinativa (causal, concessiva, consecutiva, comparativa e integrante).

 

Que como substantivo

1) Sendo antecedido (modificado) pelo artigo indefinido “um”, a sua regência exige a preposição “de”, e ele é sempre grafado com o acento circunflexo. O seu significado, nesse caso, é:

  • “Alguma coisa, algo que não se pode ou não se consegue definir”.
    • Exemplo: “Em sua fala havia um quê de incerteza”.

2) Modificado pelo pronome possessivo da 3.ª pessoa (“seus”), é sempre grafado com acento circunflexo e tem o seguinte significado:

  • “Algo difícil, que possui complexidade ou complicação”.
    • Exemplo: “A gramática do português não é difícil, mas tem seus quês”.

3) Na forma “não há de quê”:

  • É usado como agradecimento cortês e formal.
    • Exemplo: A) “Obrigado pela ajuda!” B) “Não há de quê”.

Que como pronome

Pronomes são aqueles que acompanham um substantivo (pronome adjetivo), modificando-o e determinando-o, ou que exercem a função de um substantivo (pronome substantivo), substituindo-o. São vários os pronomes. E o “que” pode desempenhar a função dos seguintes:

Pronome interrogativo

Pronomes interrogativos são aqueles usados para se formular perguntas diretas ou indiretas. O “que” é um deles.

1) Enquanto pronome interrogativo, pode ter os seguintes significados:

  • “Que coisa” (função de pronome substantivo).
    • Exemplo: “Que desejas fazer depois do almoço?”
  • “Que espécie de” (função de pronome adjetivo).
    • Exemplo: “Que baderna é essa?”

2) O “que” também pode ser usado, como pronome interrogativo, para dar maior ênfase à pergunta. Nesse caso, aparece na forma “o que”:

  • O que aconteceu com você?”

3) Pode ser usado, na forma “é que”, também para se reforçar a pergunta, juntando-se a outro “que” ou “o que” (nesse caso, o “que” adiciona recebe o nome de partícula interativa, não possuindo função sintática na oração):

  • O que é que aconteceu com você?”

Convém observar que alguns teóricos consideram os pronomes interrogativos muito próximos dos indefinidos, uma vez que, por se tratar de uma pergunta, não se sabe a resposta para ela (ou seja, a resposta está ainda indefinida).

Pronome exclamativo

Pronomes exclamativos nada mais são que pronomes interrogativos empregados em orações exclamativas, com sentido de admiração e afeição. O “que” pode ser empregado com esta função.

Exemplos:

  • Que desenho bonito você fez!
  • Que exemplo de pessoa você é!

Pronome relativo

Os pronomes relativos são aqueles que se referem a um antecedente, ou seja, a um termo já mencionado anteriormente. Há tipos variáveis (que sofrem flexões de gênero e número) e invariáveis (que não sofrem), sendo “que” um tipo invariável de pronome relativo.

Exemplos:

  • A banda que tocou era mediana (“que” está retomando o substantivo “banda”).
  • É você que é o dono? (“que” está retomando o pronome “você”).

Pronome indefinido

Os pronomes indefinidos são aqueles que se referem a um substantivo de maneira vaga ou genérica. O “que” desempenha essa função apenas em orações exclamativas, tendo o mesmo significado do pronome indefinido “quanto(a)”.

Exemplos:

  • Que sujeira você fez! (Poder-se-ia dizer: “Quanta sujeira você fez!”)
  • Que ódio eu estou sentindo! (Poder-se-ia dizer: “Quanto ódio eu estou sentindo!”).

Que como preposição

Preposições são termos responsáveis por relacionar dois termos da oração, um chamado antecedente (regente) e outro consequente (regido), estabelecendo uma relação entre eles.

Até muito recentemente, as gramáticas não consideravam o “que” como uma preposição, definindo a prática de empregá-lo com função de preposição como um mero coloquialismo. Hoje em dia, entretanto, muitos gramáticos consideram-no uma preposição, embora ainda haja certa relutância.

Utiliza-se “que” como preposição geralmente apenas após o verbo “ter”, estabelecendo uma relação entre ele e algum outro verbo.

Exemplos:

  • Tenho que acordar cedo amanhã (está ligando os termos “tenho” e “acordar”. Gramaticalmente, o correto seria “tenho de acordar cedo amanhã).
  • Não vou poder sair com você, pois terei que visitar minha mãe (Está ligando os termos “terei” e “visitar”. Gramaticalmente, o correto seria “[…] pois terei de visitar minha mãe”).

Que como advérbio

Advérbios são palavras que se juntam e modificam o sentido de um verbo, um adjetivo, uma frase ou outro advérbio. Há vários tipos de advérbios. O termo “que” pode desempenhar a função do seguinte tipo:

De intensidade

O advérbio de intensidade indica o grau da palavra à qual se une, nesse caso, o grau de intensidade, como o nome sugere, podendo esta palavra ser um verbo, um adjetivo, uma frase ou outro advérbio.

O “que” pode desempenhar essa função, tendo o mesmo sentido que outros advérbios de intensidade, como “quão”, exercendo a função de adjunto adverbial. A oração também tem um tom exclamativo, aproximando-se do emprego do “que” como pronome exclamativo.

Ele só desempenha essa função quando anteceder um adjetivo.

Exemplos:

  • Que grande é a sua casa! (= “Quão grande é a sua casa!”)
  • Seu filho, que educado ele é! (= “Seu filho, quão educado ele é!”)

Que como partícula expletiva

Dá-se o nome “partícula expletiva” (ou “partícula de realce”) a uma classe de palavras que, na oração, não desempenha nenhuma função sintática, servindo apenas para realçar ou enfatizar algum outro vocábulo.

Por não desempenhar função sintática, ela pode ser retirada da oração sem que o sentido desta seja afetado. O “que” pode ser usado como partícula expletiva.

Exemplos:

  • O meu carro quase que capota na curva! (Poder-se-ia dizer simplesmente: “O meu carro quase capota na curva!”)
  • Que tombo que o João levou, ein? (Poder-se-ia dizer simplesmente: “Que tombo o João levou, ein?”)

Que como interjeição

Determinadas palavras são empregadas com o intuito de se exprimir alguma emoção, como alegria (ah! oh!), desejo (tomara! oxalá!), dor (ui! ai!) etc.

Nesse caso, “que” pode ser empregado para se exprimir:

  • Espanto, admiração, surpresa;
    • Quê! Quer dizer que ela voltou a namorar o Miguel?
    • O quê! Não acredito em você!

Que como conjunções coordenativa

Explicativa

Conjunções coordenativas explicativas são aquelas que ligam duas orações, estando a segunda oração justificando a ideia contida na primeira. “Que” pode ser usada com essa função.

Exemplo:

  • Venha aqui em casa, que preciso te ver urgentemente (“que” poderia ser substituído por “porque” ou “pois”).

Que como conjunção subordinativa

Causal

Conjunções subordinativas causais são aquelas que iniciam uma oração subordinada que indica a causa da oração principal. “Que” é uma delas.

Exemplo:

  • É preciso reformar a casa, que ela já está em ruinas (“que” poderia ser substituído por “porque” ou “pois”).

Concessiva

Conjunções subordinativas concessivas iniciam uma oração que indica uma ideia contrária à da oração principal, mas sem força o suficiente para impedir que a primeira aconteça.

Exemplo:

  • Gosto dos meus discos, velhos que estejam.

Consecutiva

Conjunções subordinativas consecutivas iniciam uma oração que indica a consequência do que foi dito na primeira oração. O “que” vem sempre acompanhado por: tal, tanto, tão ou tamanho.

Exemplo:

  • Estava com tanto medo que acabei fugindo.

Comparativa

Conjunções subordinativas comparativas iniciam uma oração que estabelece uma comparação para com a primeira oração. Geralmente, vêm acompanhadas por: mais…, menos… etc.

Exemplo:

  • Ações falam mais que palavras.

Integrante

Conjunções subordinativas integrantes são responsáveis por introduzir uma nova oração que desempenha uma das seguintes funções: a) sujeito; b) objeto direto; c) objeto indireto; d) predicativo; e) complemento nominal; ou f) aposto.

São duas as conjunções integrantes: “que” e “se”. Opta-se pelo “que” quando o verbo exprime uma certeza. Exemplo:

  • Cedo ou tarde, Miguel perceberia que havia agido mal.

Alexandre Garcia Peres

Alexandre Garcia Peres, formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), gosta de arte, literatura, língua portuguesa, poesia e do seu gato.

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