Vaga-lumes – Características físicas, Comportamento, Habitat, Alimentação e Reprodução

O Brasil abriga a maior biodiversidade de besouros bioluminescentes (os vaga-lumes) do mundo, com cerca de 500 espécies descritas. Desde criança, aprendemos a admirar os vaga-lumes pela luz que produzem. Comuns nas noites de verão, eles causam a sensação de serem seres mágicos, vindos dos contos de fada para romantizar o ambiente.

Os vaga-lumes são insetos que pertencem à família Lampyridae. Também chamados de pirilampo em algumas regiões, eles representam cerca de 2 mil espécies de besouros da ordem Coleoptera.

A grande maioria desses animais é encontrada em regiões temperadas e tropicais. O Brasil concentra 25% das 2 mil espécies de vaga-lumes do mundo, sendo a Mata Atlântica um dos ecossistemas que possui maior número de espécies desses animais. Confira, abaixo, mais informações sobre esses pequenos seres brilhantes.

Características físicas dos vaga-lumes

Os vaga-lumes são insetos e, portanto, possuem o corpo segmentado. Indivíduos adultos medem entre 5 e 25 milímetros de comprimento. O corpo é achatado e a coloração varia entre o marrom-escuro, preto, alaranjado e amarelo. Os machos apresentam asas, enquanto as fêmeas possuem asas pequenas ou não possuem. Também contam com 3 pares de pernas.

Para produzir a luz característica desses animais, eles possuem órgãos especializados na parte inferior do abdômen ou em outras partes do corpo, e apresentam diferentes padrões de sinalização e cores.

Esses órgãos produzem luz quando misturam as substâncias químicas produzidas com o oxigênio. Quando o vaga-lume inala o oxigênio, o elemento é levado para o tecido denominado de lanterna, onde irá reagir com as substâncias luciferina e luciferase. Nesse momento, a ATP (substância que fornece energia) age sobre a reação e resulta em oxiluciferina, que libera energia em forma de luz.

Comportamento

O comportamento mais característico dos vaga-lumes é a produção de luz, ou bioluminescência. Em geral, as cores das luzes que emitem são verde ou amarela.

Esse pisca-pisca que produzem de maneira rítmica é usado para atração sexual. Em algumas espécies, ambos os sexos produzem bioluminescência, enquanto em outras somente o macho é capaz de emitir luz.

Alguns autores também acreditam que as luzes são produzidas como uma proteção contra predadores. No entanto, alguns sapos comem esses insetos em tamanha proporção que até eles mesmos ficam brilhantes na região da barriga.

São animais noturnos em sua maioria, com apenas alguns representantes diurnos. Também, costumam ser vistos em bandos.

Habitat

Os vaga-lumes habitam tanto regiões tropicais quanto temperadas. De maneira geral, eles preferem áreas quentes e úmidas, sendo apenas algumas espécies encontradas em regiões secas.

Alimentação

A grande maioria dos vaga-lumes é onívora. Algumas espécies consomem pólen ou néctar, enquanto somente alguns representantes são predadores, podendo também realizar o canibalismo, quando as fêmeas consomem os machos.

Ainda, alguns vaga-lumes adultos não se alimentam.

Reprodução

Esses insetos se reproduzem por meio da deposição dos ovos, feita pelas fêmeas e no chão. Quando eles eclodem, pequenas larvas achatadas surgem e também produzem bioluminescência. Elas vivem no chão e se alimentam de caracóis e lesmas, injetando um fluido dentro do corpo da presa para fazer a pré-digestão antes do consumo.

A expectativa de vida dos vaga-lumes é de apenas dois meses.

Curiosidades

Bioindicadores

Os vaga-lumes são considerados animais bioindicadores, por serem muito sensíveis à poluição luminosa, o que indicaria maior desenvolvimento das atividades humanas no local, e que são prejudiciais para a comunicação sexual desses animais.

No Brasil, existe o projeto “Vaga-lumes da Mata Atlântica – Biodiversidade e uso como bioindicadores”. Esse ecossistema é um dos locais mais diversos em vaga-lumes do mundo. O objetivo do estudo é catalogar a biodiversidade desses insetos na Mata Atlântica de São Paulo e avaliar uso deles como indicadores da qualidade ambiental de áreas palustres e ribeirinhas.

Além disso, esses seres são bons modelos para estudar o impacto da poluição luminosa sobre a biodiversidade, uma vez que eles emitem luz para fins reprodutivos. Quando a iluminação do ambiente é elevada, os sexos não conseguem localizar um ao outro.

Outros usos

Os vaga-lumes também podem ser empregados para o controle biológico de caramujos que causam danos na agricultura e de vermes que são vetores de doenças. Além disso, podem ser usados para realizar pesquisas genéticas como marcadores bioluminescentes de expressão gênica.

Bruna Manuele Campos

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela USP (2016 e 2018), tem 25 anos e é apaixonada pela natureza e por explorar o mundo. Quando não está se aventurando por aí, gosta de aquietar as pernas com livros e séries.

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