Socialismo Científico – O que é? Características e Socialismo utópico

Apesar de derrotado empiricamente pelo Capitalismo com a derrocada da União Soviética e a vitória dos Estados Unidos no começo dos anos 1990, o Socialismo é uma ideologia que continua em voga nos dias de hoje, com muitos de seus conceitos válidos para explicar o estado atual das coisas. Além disso, a utopia de uma sociedade sem classes e sem opressão sobre o trabalhador pelo capital continua ecoando em muitos grupos sociais e movimentos organizados.

Mas, o socialismo também possui ramificações que fazem distinção entre si, indicando tipos distintos, com abordagens também diferentes. É o caso do socialismo científico, que buscou se diferenciar do socialismo utópico e tem como nomes principais Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1995).

Veremos, a seguir, no Gestão Educacional, o que é esse socialismo científico e o colocaremos em comparação com as teses do socialismo utópico, para entender o que os diferencia.

O que é Socialismo científico?

O socialismo científico tem como fundamento os conceitos baseados no filósofo e economista alemão Karl Marx. Por isso, a doutrina também é conhecida como socialismo marxista ou mesmo Marxismo. O nome socialismo científico foi cunhado pelo amigo de Marx e também intelectual Friedrich Engels para descrever a teoria sócio-político-econômica desenvolvida por Marx durante o século XIX. O objetivo era diferenciar essa teoria do socialismo utópico, elaborada por autores que vieram antes de Marx e Engels e defendida por outros nomes, o que fez com que os dois conceitos se confrontassem em busca de corações e mentes dos socialistas.

A origem do socialismo científico remete ao Manifesto Comunista, escrito em 1848 por Marx e Engels e que serve como o documento base para entender o Comunismo e o papel da classe trabalhadora perante o capitalismo. Para os defensores do socialismo científico, a melhoria da vida e das condições laborais dos trabalhadores ocorreria apenas por meio da luta de classes e da consequente revolução proletária, que levaria à superação do capitalismo e à implantação do socialismo.

Para construir sua doutrina, o socialismo científico se baseou em conceitos como:

  • Materialismo histórico: movimentos políticos, sociais e intelectuais são determinados pelo modo de produção da vida material;
  • Materialismo dialético: teoria que diz que o mundo é formado por processos em constantes transformações;
  • Luta de classes: baseada no antagonismo de classes entre os trabalhadores e os donos dos meios de produção;
  • Mais-valia: evidencia como os trabalhadores são explorados pelos capitalistas, pois a Mais-valia é o valor acrescentado ao produto pela força de trabalho da mão de obra, ou seja, o lucro produzido pelo proletário é repassado ao seu patrão;
  • Teoria da evolução socialista: é fundamentada na superação do capitalismo pela revolução socialista, a partir da tomada de poder pelos trabalhadores, que levaria à ditadura do proletariado e, por fim, ao comunismo, numa sociedade sem classes.

Todos esses temas foram desenvolvidos durante muitas reflexões e análises que ocorreram no efervescente século XIX, marcado pela Revolução Industrial e pela ascensão burguesa, fortalecendo o então recente capitalismo.

Socialismo científico versus socialismo utópico

Apesar de ambos objetivarem o mesmo destino, o socialismo científico se contrapõe ao utópico na medida em que os marxistas pregam a transformação social por meio da revolução armada, enquanto que os utópicos creem que essa mudança se daria de maneira pacífica.

O socialismo utópico surgiu antes do científico, tendo aparecido a partir das ideias de nomes como Conde de Saint-Simon (1760 – 1825), Robert Owen (1771 – 1858), Charles Fourier (1772 – 1837) e Louis Blanc (1811 – 1882), mas só mais tarde é que a junção desses pensamentos originou na teoria utópica. Eles eram denominados dessa forma, pois se preocupavam somente em descrever como deveria ser a “sociedade ideal”, sem apontar os caminhos para alcançá-la.

Já os adeptos do socialismo científico buscam uma forma racional e metódica de analisar as condições para ser implantada uma sociedade sem classes. E apesar de elogiar o pioneirismo dos socialistas utópicos, Marx e Engels defendiam uma ação mais prática e direta contra o capitalismo, a partir da revolução do proletário.

O marxismo nega o caráter científico da doutrina clássica e das ideias defendidas pelos socialistas denominados por Marx de ‘utópicos’. Herdeiras do pensamento cartesiano — a doutrina clássica sobretudo — mascaram a realidade, em nome de ‘ideias eternas’, da Razão abstrata, com desprezo dos fatos históricos. Marx propõe-se ‘a desvendar a lei econômica do movimento da sociedade moderna’, à base de uma visão sociológica, onde o materialismo histórico, a que se acha vinculada a luta de classes, constitui o fundamento de suas exposições e de suas análises”, explica Messias Pereira Donato, no texto O Socialismo Científico: Karl Marx.

Rodrigo Herrero Lopes

Jornalista com 15 anos de experiência, é mestre em América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) na linha de pesquisa Práticas Políticas e Relações Internacionais.

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