Lontra – Características físicas, Comportamento, Habitat, Alimentação e Reprodução

A lontra é um mamífero aquático, da família Mustelidae, a mesma das doninhas e ariranhas. Esses animais são classificados em 7 gêneros: Lontra, Lutra, Aonyx, Hydrictis, Enhydra, Lutrogale e Pteronura. São, ao total, 13 espécies de lontras que apresentam grande variação em porte, sendo que 11 delas habitam água doce.

Esses animais ocorrem nos continentes Africano, Americano, Asiático e Europeu. No Brasil, encontra-se a lontra neotropical (Lontra longicaudis), especificamente nos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pantanal e Pampa, com ampla distribuição territorial.

Confira, abaixo, mais detalhes da lontra, animal que se encontra classificado como quase ameaçado.

Características físicas da lontra

As lontras apresentam grande variação de peso, podendo ter entre 3 e 41 quilos, como a espécie de lontra-marinha (Enhydra lutris). Elas medem de 1 a 1,5 metros de comprimento, apresentando um corpo esguio, com pernas curtas. Suas orelhas e seu focinho são curtos também.

Como passam a maior parte do tempo na água, precisam de adaptações para esse ambiente. Para auxiliar na natação, as patas contam com membranas interdigitais e a cauda é achatada e forte. A pelagem é curta e espessa para protegê-las contra o frio, e sua coloração é geralmente marrom, podendo também apresentar manchas brancas em algumas espécies.

Comportamento

Esses animais possuem hábitos diurno/crespuscular, mas podem se tornar mais noturnas em função das pressões antrópicas do ambiente. Além disso, são territorialistas e solitárias.

Um dos comportamentos interessantes desses animais é para dormir. As lontras se prendem às algas, como as gigantes kelps, para não serem levadas para longe durante o sono. Além disso, algumas lontras juntam os pés umas nas outras para se manterem unidas. Quando precisam descansar, procuram refúgios em buracos ou covas de outros animais ou nos cercados por raízes. Podem também se refugiar no meio da vegetação.

Lontras de rio gostam de brincar umas com as outras, fazendo brincadeiras na terra ou jogando água umas nas outras nos rios. Além disso, elas costumam passar o tempo deslizando na lama ou no gelo. Esses animais aprendem a nadar com cerca de 2 meses de idade, quando são ensinados pelas mães.

Para defecar, estabelecem um local típico ao redor de lagos ou rios. Esse comportamento facilita a comunicação para demarcação de território entre os indivíduos.

Habitat

As lontras são frequentemente encontradas em rios. Em algumas exceções, vivem em lagos ou oceanos, também.

Alimentação

São animais carnívoros. As lontras consomem principalmente peixes e crustáceos. No entanto, a dieta das espécies de rio varia conforme a sazonalidade. Ou seja, consomem as espécies de peixes que estão mais disponíveis no momento.

Já as lontras-marinhas conseguem comer também mariscos. Para abri-los, elas nadam de costas e colocam uma pedra sobre o peito para esmagar o molusco até que se quebre.

Reprodução

As lontras de rio atingem a maturidade sexual com aproximadamente 5 anos de idade. A gestação dura cerca de 2 meses e as fêmeas dão à luz de 1 até 5 filhotes por vez. O cuidado parental ocorre por cerca de um ano.

Para dar à luz, a lontra sobe à superfície e procura por tocas, que podem ter sido utilizadas por outros animais, como os castores. Já as lontras-marinhas dão à luz na água.

Curiosidades

As fezes da lontra possuem um cheiro extremamente desagradável. Os pesquisadores acreditam que esse cheiro característico venha das algas de sua dieta.

Ameaças

Algumas espécies de lontra são classificadas como ameaçadas de extinção, como a lontra-marinha. Atualmente, os fatores que mais impactam sua sobrevivência são a poluição, como os metais pesados provenientes do uso de pesticidas que se acumulam em sua carne.

O consumo de peixes que param em redes de pesca também causa conflitos com pescadores, que acabam matando as lontras. Além disso, caçadores buscam por esses animais para comercializar suas peles como peças de vestuário. Antigamente, a pressão de caça sobre a lontra e outros animais da família dos mustelídeos era intensa. Atualmente, mesmo com a criação de leis que impedem a prática, várias espécies ainda não conseguiram retomar o tamanho populacional adequado.

A perda de habitat também ameaça a sobrevivência desses animais, por conta de diversos fatores, como a construção de hidrelétricas no Brasil. Na Ásia, o comércio de lontras asiáticas (Aonyx cinereus) no mercado ilegal de pets exóticos está levando ao declínio populacional da espécie.

Bruna Manuele Campos

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela USP (2016 e 2018), tem 25 anos e é apaixonada pela natureza e por explorar o mundo. Quando não está se aventurando por aí, gosta de aquietar as pernas com livros e séries.

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